Do ponto de vista médico, os surtos de dengue foram provocados pela chegada do tipo 3 do vírus a novas cidades. Foi o mesmo tipo 3 que provocou a grande epidemia no Rio e em capitais do Nordeste em 2001-2002. No mundo, há quatro diferentes tipos do vírus da dengue. No Brasil, até o momento, circulam os tipos 1, 2 e 3.
Ao ser infectada uma vez, a pessoa fica imune ao sorotipo que a contaminou. Mas pode se infectar com os demais.
Em Mato Grosso do Sul e regiões do interior do Estado de São Paulo, o tipo 3 foi detectado recentemente. Por isso a situação é crítica nesses locais. Quando o paciente é infectado uma segunda ou uma terceira vez por um sorotipo diferente do vírus, ele corre o risco de desenvolver a forma grave da doença, a dengue hemorrágica, que pode levar à morte.
Um dos problemas nesses casos é o atendimento médico. A dengue hemorrágica começa com uma febre que passa logo em seguida, mas depois reaparece. ''Muitos médicos dão alta para o paciente assim que a febre passa. É um erro. Essa é a curva da morte'', explica o clínico Eraldo Bulhões Martins, do Sindicato dos Médicos do Rio.
A taxa de mortalidade pela dengue no Brasil é de 13%, um índice bem superior àquele tolerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 3%.(R.W.)

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