Brasília, 15 (AE) - Dois líderes timorenses chegam amanhã (16) ao Brasil para conversar com autoridades brasileiras, inclusive com o presidente Fernando Henrique Cadoso, sobre cooperação do Brasil à reconstrução do Timor Leste. O líder Roque Rodrigues, do conselho executivo do Comando Nacional de Resistência Timorense (CNRT), presidido por José Alexandre Xanana Gusmão, e o Padre Filomeno Jacó, coordenador da área educacional do Timor, chegam amanhã de Lisboa e serão recebidos na sexta-feira no Ministério da Educação e no Comunidade Solidária e, na segunda-feira, pelo presidente.
De acordo com o Itamaraty, os timorenses vão relatar às autoridades políticas, das áreas de Educação, Administração e Agricultura a situação da ilha e vão especificar em que setores esperam contar com a ajuda brasileira. Segundo o Itamaraty, a ajuda bilateral ao Timor só serrá oferecida depois que o governo timorense for constituído.
Enquanto durar a missão da Administração Temporária das Nações Unidas para o Timor (Untaet), que deve estender-se por cerca de três anos, a ajuda oferecida pelo Brasil será por meio e a pedido das Nações Unidas.
A Agência Brasileira de Cooperação (ABC) estuda oferecer ao timor um centro de formação profissional, nos moldes do Centro de Formação Profissional Angola-Brasil, inaugurado em Luanda no mês passado. O centro profissional de Angola, projetado pelo Senai, é o maior trabalho de apoio do governo brasileiro e custou US$ 2,2 milhões. A despesa foi dividida entre os governos brasileiro e angolano, mas o Brasil arcou com a maior parte: US$ 1,5 milhão.
Os líderes timorenses vão reunir-se também com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, que deverá visitar o Timor no início do próximo ano. Segundo um relatório feito pelo Banco Mundial, divulgado no mês passado, são necessários US$ 300 milhões durante os próximos três anos para reconstruir o Timor Leste. Entre as diversas necessidades da ilha, são prioridades, na área econômica, restaurar o fluxo de bens e serviços, criar um sistema bancário, establecer uma moeda e formular um orçametno fiscal para o ano 2000.
Na área institucional, de acordo com o Banco Mundial, é preciso coletar dados econômicos e sociais e estabelecer as instituições políticas, além da criação do serviço público, da recuperação de prédios e do reparo de sistema de telecomunicações, entre outas necessidades de infraestrutura.

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