Jacarta, 03 (AE-AP) - O resultado do plebiscito do Timor Leste realizado na segunda-feira será anunciado amanhã (04) e mais tropas estão sendo enviadas para a província para manter a ordem. O ministro da Defesa da Indonésia, general Wiranto, disse hoje (03), em Jacarta, que estava enviando mais 1,4 mil soldados para a província e outros 400 oficiais da polícia da indonésia chegarão ao Timor entre sábado e domingo. Se, como todos acreditam, os timorenses tiverem votado pela independência, os temores são de que o anúncio oficial do resultado deflagre uma violência sem precedentes por parte das milícias pró-Jacarta. Um jornal da Indonésia informou que o exército tem um plano preparado para evacuar 250 mil timorenses se a violência fugir ao controle. Ainda de acordo com o diário, muitos governos estrangeiros estariam finalizando planos para uma possível evacuação geral. Em Washington, o porta-voz da Marinha dos Estados Unidos, disse que o USNS Kilauea, um navio de suprimentos, estava em alerta para servir como local de pouso alternativo para helicópteros em qualquer operação de emergência. Em Kuala Lumpur, o governo da Malásia anunciou que irá enviar mais 50 soldados e policiais ao Timor Leste, de acordo com a agência de notícias Bernama. Os oficiais irão juntar-se à missão da ONU na província, mas não farão parte de uma eventual força de paz internacional, informou o ministro das Relações Exteriores da Malásia, Syed Hamid Albar. O país asiático já enviou cerca de 40 militares e policiais para o Timor Leste. O líder da resistência do Timor Leste no exílio, o prêmio Nobel da Paz José Ramos Horta, deixou hoje a cidade de Sydney, Austrália, com destino aos Estados Unidos. O objetivo da viagem é pressionar a comunidade internacional a impor sanções contra a Indonésia, pelo apoio dado às milícias antiindependência na ex-colônia portuguesa. "Todas as ajudas internacionais à Indonésia, incluindo as do Banco Mundial deverão ser congeladas imediatamente", disse. Ramos Horta afirmou ainda que o exército indonésio "não entende a linguagem da razão e moderação, mas apenas a da força". "Torna-se cada vez mais urgente que a comunidade internacional tome medidas mais drásticas com relação à Indonésia", acrescentou o prêmio Nobel da Paz, que é favorável a presença de uma força da ONU no Timor Leste.

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