Timor quer preservar identidade nacional reintroduzindo o português
Timor quer preservar identidade nacional reintroduzindo o português18/Mar, 13:39 Por LEONARDO TREVISAN Brasília, 18 (AE) O povo no Timor Leste "resistiu em língua portuguesa" lembrou o padre Filomeno Jacob, diretor de Educação do Conselho Nacional de Resistência Timorense, a forma de poder local desse território no Sudeste da ásia. O Timor Leste ainda está sob controle de uma força multinacional de paz enviada pela Organização das Nações Unidas (ONU), para garantir o resultado da consulta popular de 26 de agosto, que, com 86% de aprovação, optou pela independência da Indonésia. O preço da decisão foi muito alto: o país está destruído. Mas, segundo o padre, não há arrependimento nem medo: " A dominação da Indonésia já é história, é passado." A frase é corajosa. A Indonésia possui 200 milhões da habitantes e o Timor Leste estima sua população em 550 mil. O padre, no Brasil desde quarta-feira, está à procura de ajuda na área educacional. Para ele, a razão de procurar essa juda no Brasil é simples de justificar: "Só conseguiremos recuperar identidade nacional reintroduzindo o idioma português." A preocupação dos indonésios era "abafar a cultura portuguesa" quando eles chegaram em 1975 e, para isso, conta o padre, eles "resolveram construir escolas, muitas escolas" para educar as crianças em língua indonésia. Desde o a década de 80, o Timor Leste possuía, segundo Filomeno, "muito mais vagas nas escolas do que alunos". Ele reconhece que esse oferecimento de educação criou uma elite educada no país. Mas, lamentou ele, embora apoiem a independência "muitos desses jovens já não falam português". O Timor Leste viveu uma espécie de "terremoto provocado" que começou às 17 horas de 4 de setembro de 1999, segundo o padre Filomeno, quando foi anunciado o resultado da consulta popular. As milicias pró-Indonésia começaram a destruição "primeiro pelas escolas", conta ele, e depois de todos os demais edifícios públicos, igrejas, capelas e por fim das casas particulares. Não foram usados explosivos - "destruição primitiva mesmo", disse o padre, com uso de gasolina - em uma política de terra arrasada. Aldeias inteiras desapareceram, com o povo fugindo para as montanhas. Não foi diferente em Díli. Na retirada, as milicias primeiro carregavam para o Timor Oeste tudo que tivesse valor, "de computador a chinelo", e depois incendiavam os prédios. As tropas internacionais "chegaram muito tarde", lamenta ele. O primeiro contingente australiano entrou em Díli em 20 de agosto. Encontrou uma cidade fantasma e incendiada. Não foi diferente "por todo o interior", insitiu o padre Filomeno. O mundo não nos esqueceu e "estamos agradecidos", garante o religioso. Porém, medindo cada palavra, ele lembra: quando as cinzas dos incêndios ainda estavam quentes, "nos prometeram zinco, pregos e madeira" para provisoriamente refazer a vida, porque as chuvas fortes vão de outubro a dezembro na região. "Nada disso chegou", disse o padre, informando que "os militares nos deram plásticos e nós fizemos nossas tendas com o que encontramos". Há um tom de esperança nas palavras e expressões do sacerdote católico timorense: "Vamos reconstruir nosso país pela educação." O Brasil é o "nosso irmão mais velho", na imagem do padre, e pode nos ajudar muito a "reintroduzir o português". Ele esteve no Ministérioda Educação pedindo ajuda em material didático (ele quer formar uma rádio e tevê educativa), pede livros necessários "para reabrirmos nossa universidade" e insiste: "Queremos a criação de um Centro Cultural Brasileiro para manter a latinidade no Timor." Entusiasmado, Filomeno fala em formação profissional imaginando que, se cada uma das universidades brasileiras recebesse "apenas um jovem timorense, a formação de formadores do Timor Leste estaria bem encaminhada".





