Tietê comemora dia com água suja e odor desagradável
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 21 (AE) - O odor desagradável e a água suja ainda desanimam quem deseja acreditar que o Rio Tietê está se transformando. No Dia do Tietê, comemorado amanhã, políticas desencontradas de despoluição continuam sendo sua marca. Mas há sinais de mudança. "Há uma grande virada, que é o fato de o programa de despoluição ter sido iniciado por pressão da sociedade", acredita o coordenador do Núcleo Pró-Tietê da Fundação SOS Mata Atlântica, Samuel Barreto. "Isso é muito importante para garantir a continuidade." A campanha que acabou por recolher mais de um milhão de assinaturas pela despoluição do rio teve início em 1991 e foi encabeçada pela "Rádio Eldorado".
Apesar da visão otimista sobre o problema, Barreto diz que há grandes desafios pela frente. "O caso de São Paulo é muito complexo", explica. "Precisamos enfrentar desafios como o crescimento desordenado e a invasão de mananciais."
O coordenador-executivo do Núcleo Regional de Educação Ambiental da Zona Norte de São Paulo, Ronaldo Figueira, tem críticas ao que vem sendo feito pela despoluição do Rio Tietê. "Falta trabalhar o saneamento da bacia como um todo", acredita. "Muitas vezes, como no caso do desassoreamento, está sendo atacada a consequência e não a causa."
Para Figueira, faltam ações "globais", como o controle da ocupação do solo, a proteção das encostas e o incentivo ao replante de árvores. "A educação ambiental é uma ferramenta preventiva que precisa ser usada, porque a população também tem parte no processo todo."
O projeto de despoluição do rio, cuja primeira etapa já foi concluída, é executado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Dados da Cesteb indicam que 95% das 1.250 fontes que eram consideradas as mais poluentes já tratam adequadamente seus dejetos. Na Sabesp, a informação é de que 60% do esgoto doméstico já têm condições de ser tratado em estações da companhia. "Apesar de todo avanço, esse esgoto ainda precisa chegar às estações; falta coletá-lo", diz o diretor de Controle da Poluição Ambiental da Cetesb, Paulo Ferreira.
De acordo com o superintendente do Projeto Tietê, José Carlos Ribeiro Leite, os resultados já são bastante positivos e não devem aumentar muito na segunda etapa do projeto. "Já atendemos 80% da população e vamos chegar a 90% porque há as ligações clandestinas e o esgoto que não pode ser coletado."
Enchentes - O Departamento de águas e Energia Elétrica (Daee) deve concluir em julho do ano que vem as obras que poderão aumentar a vazão do rio em 60%, diminuindo o problema das enchentes. Mas ainda ficarão faltando uma série de piscinões - com previsão de término para o ano 2001 - para que a cidade viva uma espécie de "sonho". "Com essas obras, teremos uma enchente a cada dez anos", acredita o supreintendente do Daee, José Bernardo Ortiz.


