A situação do Rio Tibagi exige algumas medidas de urgência para a sua sobrevivência, principalmente com relação à mata ciliar (florestas das margens dos rios que os protegem) e fiscalização dos efluentes de indústrias na sua bacia. O Tibagi começa na Serra das Almas, em Palmeira (40 km ao sul de Ponta Grossa) e percorre 52 municípios, numa extensão de 550 quilômetros, chegando até o rio de Paranapanema na represa de Capivara em Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina).
Segundo estudo do biólogo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Marcelo Torezan, doutorando em engenharia ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), a mata ciliar no alto e baixo Tibagi foi praticamente dizimada. A estimativa é de que restam apenas 2% no baixo Tibagi.
‘‘Para reverter esta situação é preciso restaurar os ecossistemas destruídos. Nas áreas próximas a fragmentos florestais (remanescentes) e com solo ainda em condições razoáveis, basta cercar e abandonar’’, explica Torezan. Nas outras, segundo ele, podem ser necessárias técnicas envolvendo o plantio.
Apesar de desprotegida pela ausência de mata ciliar, a água do rio ainda é classificada no nível 2 de qualidade, segundo resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabelece oito níveis. O nível 2 indica que a água é boa para consumo mediante o tratamento tradicional. Em alguns pontos, nas proximidades de indústrias, a qualidade da água é classificada nos níveis 3 e 4 anos, que exigem tratamentos diferenciados para consumo.
Entre 1990 e 1998, porém, a quantidade de matéria orgânica despejada em toda a bacia aumentou de quatro a cinco vezes. Se continuar neste ritmo a tendência é o rio morrer por falta de oxigênio.
A professora do departamento de Química da UEL, Maria Josefa Yabe, que há 10 anos pesquisa a qualidade da água do Tibagi, explica que nestas condições a quantidade de nitrogênio e fósforo aumentam, criando condições para o surgimento de algas. Estas consomem o oxigênio impedindo o surgimento de vida aquática.
Evitar que a quantidade de matéria orgânica continue aumentando, segundo a professora, depende de fiscalização, seguida de multa para que as indústrias tratem seus efluentes e reduzam sua carga. ‘‘O controle é fácil. Não sei por que não é feito.’’ (Érika Pelegrino, de Londrina)

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