Dusseldorf, 11 (AE) -- O Grupo ThyssenKrupp, maior produtor mundial de aço inoxidável no mundo e quinto maior grupo industrial alemão, está negociando a aquisição de parte dos 18% que o grupo do empresário Benjamin Steinbruch detém na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Ulrich Middelman, membro do board do grupo alemão, informou que o ThyssenKrupp está interessado em fortalecer sua parceria na CSN, com a qual formou uma joint venture para construir a GalvaSud, no Rio de Jeniero, onde estão sendo investidos US$ 250 milhões.
"Queremos oferecer à CSN a força internacional do Grupo ThyssenKrupp", disse Middelmann na sede da companhia, em Dusseldorf. O executivo, um dos mais importantes do board do grupo alemão, afirmou que as "fases temporárias" de instabilidade econômica no País, que provocaram uma forte alta nas taxas de juros e que abalaram o mercado do setor automobilístico, não afastaram a estratégia do grupo de ampliar a suas parcerias no Brasil. "Não vamos esperar a tormenta passar para fazer nossos investimentos no mercado brasileiro, o qual consideramos um dos mais importantes em termos de perspectivas de crescimento", acrescentou o executivo.
Essa estratégia, por exemplo, não deve limitar-se apenas ao setor siderúrgico e ao petrolífero. Middelmann informou que o ThyssenKrupp deve criar uma nova divisão dentro do grupo que estará voltada a outros interesses, como o gerenciamento de águas e esgoto, no qual já tem uma forte parceria na Europa com a francesa Lyonnais des Eaux. "Estaremos sempre atentos a projetos que tenham uma forte rentabilidade", completou Hans Ulrich Gruber, chairman da ThyssenKrupp Materials & Services, uma das cinco divisões do conglomerado alemão.
Ainda sobre a CSN, Middelmann informou que os fundos de investimentos, entre eles o Previ, estão interessados em contar com um parceiro forte na siderúrgica brasileira. Entretanto, acrescentou, no momento nosso foco é adquirir parte dos 18% do grupo do empresário Steinbruch na CSN", afirmou. Middelmann preferiu não antecipar qual o porcentual dessa participação e limitou-se a informar que, no meio dessas negociações, estão sendo cogitadas várias opções. "Estamos interessados em uma ligação conveniente com a CSN, razão pela qual o porcentual não é importante agora", acrescentou.
Em maio do ano passado, o Thyssen Kruppp e a CSN formaram uma joint para construir a GlavaSud, que se encontra em estágio inicial de construção. A operação da fábrica está prevista para o final do próximo, quando a deverá começar a produzir 350 mil toneladas de aço galvanizado e que serão destinadas exclusivamente para a indústria automobilística. Nesse projeto, um dos últimos e mais importantes investimentos feitos no Brasil nos últimos 12 meses, o ThyssenKrupp mantém 49% de participação e a CSN, 51%.
No ano passado, o grupo alemão faturou 69 bilhões de marcos alemães (US$ 40,6 bilhões), dos quais US$ 27,3 bilhões na Europa, US$ 6,7 bilhões nos EUA, México e Canadá, US$ 1,1 bilhão na América do Sul e os restantes na ásia e no Leste Euroepeu. Indagado sobre o fato de só agora o ThyssenKrupp estar interessado no setor siderúrgico brasileiro, Middelmann disse que a empresa não teve interesse de tomar uma posição majoritária das companhias brasileiras durante o processo de privatização. "Naquele momento, parecia ser ineficiente entrar nesse setor, além de as empresas estarem muito caras", argumentou Middelmann. De acordo com ele, a idéia agora é fortalecer, de forma mútua, as duas companhias.

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