Guaíba (RS), 10 (AE) - O grupo alemão Thyssen Krupp anunciou hoje a aquisição, por US$ 109 milhões, de 98% do capital da Elevadores S–r, segunda maior fabricante do setor no País, com vendas estimadas em R$ 180 milhões este ano. Com a operação, os novos controladores pretendem transformar a empresa em líder na América Latina num prazo de dois anos, com 25% do mercado regional e faturamento ao redor de US$ 200 milhões anuais.
Após a aquisição, a companhia gaúcha, que atualmente detém 18% do mercado latino-americano e 26% das vendas brasileiras de elevadores, passa a chamar-se Thyssen S–r e pretende superar a concorrente Schindler-Atlas, atualmente a maior do setor no mercado nacional. A empresa vinha há quatro anos negociando uma associação para enfrentar a globalização do mercado.
"Reconhecemos a necessidade de uma aliança estratégica para continuar crescendo neste mercado", disse o diretor-superintendente Alceu Paz de Albuquerque, que continuará no cargo. De acordo com ele, embora a S–r viesse apresentando um crescimento médio de 14% nos últimos anos, seria "arriscado demais" postergar esta decisão.
Alem da Thyssen, a S–r chegou a negociar com a Otis, a Mitsubishi, a coreana LG e bancos de investimentos. A escolha pelo grupo alemão, conforme Albuquerque, decorreu da complementaridade de produtos e da "similaridade" das culturas das duas companhias.
O diretor de comunicação da Thyssen, Manuel Ventura, disse que investimentos futuros da empresa serão bancados com recursos próprios dos novos controladores. Ele não adiantou volumes de aportes futuros, pois isto dependerá da análise dos projetos industriais que ainda serão definidos. O executivo também garantiu que o capital da Thyssen S–r permanecera fechado.
Albuquerque informou que com a incorporação pelo grupo alemão a empresa passará a fabricar produtos de elevação com os quais não trabalhava, como "fingers" para aeroportos, esteiras e escadas rolantes e elevadores que operam a alturas superiores a 240 metros. Até agora, a S–r tinha uma capacidade para produzir 2,4 mil elevadores até 240 metros por ano, mas vinha operando numa faixa de 2 mil unidades anuais, explicou Albuquerque.
O executivo informou que inicialmente os novos produtos serão importados de outras unidades da Thyssen, que tem fábricas em países como Alemanha, Portugal, Espanha e Estados Unidos, onde é líder depois da aquisição da Dover Elevators, em 1998. "Depois, dependendo do mercado, os produtos serão gradativamente nacionalizados", completou.
Ventura disse que a unidade de Guaíba será mantida como base das operações da empresa no mercado latino-americano. "Esta é uma operação para somar forças e não para fazer demissões". Atualmente, o grupo alemão atende a mercados como Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Guatemala a partir de suas fábricas na Europa.
A S–r tem hoje 1.330 funcionários, 12 unidades de negócios no Brasil e vende para outros 22 países da América Latina, disse Alceu Albuqueque. Eles incluem Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Panamá, Venezuela, Porto Rico, Peru, Costa Rica, Guatemala, Equador, Colômbia e Republica Dominicana. Conforme o executivo, o mercado brasileiro corresponde a 50% do latino-americano e cerca de 70% das vendas internas estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste do País.
Ventura explicou ainda que a Thyssen esta disposta a "ouvir" outras empresas que estejam interessadas em negociar. "A tendência de concentração do mercado devido à grande necessidade de capital pode não ser feliz mas e inevitável", comentou. Atualmente, o conglomerado Thyssen fatura US$ 40 bilhões por ano no mundo e tem 200 mil funcionários. A Thyssen Krupp Industrial, que opera no setor de elevadores, escadas e esteiras rolantes tem vendas anuais de US$ 3,1 bilhões e 24,7 mil funcionários.

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