Rio, 5 (AE) - O diretor da Thames Water no Brasil, Emilio Gabrielli, confirmou hoje interesse da empresa, uma das três maiores empresas de saneamento do mundo, em associar-se à Sabesp, ao participar de seminário de discussão do saneamento público promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). Segundo Gabrielli, se a empresa paulista se associasse a uma grande empresa internacional do setor, teria condições de tornar-se também um multinacional de saneamento.
"Uma empresa como a Sabesp, em associação com uma companhia internacional grande, poderia realizar investimentos em outros países, como Bol‹via, México", afirmou Gabrielli. Para ele, a união com um parceiro de peso pode tornar também a companhia paulista uma das grandes empresas do setor no mundo.
O fato de a Thames Water ter experiência em atender a um grande público seria uma razão para favorecer a associação da companhia com a Sabesp, argumentou Gabrielli. "Com 12 milhões de clientes em seu mercado original (Londres), a Thames tem afinidade natural com mercados como os de São Paulo e Rio de Janeiro", afirmou o executivo.
As empresas de saneamento em Santa Catarina e no Espírito Santo também foram citadas como interessantes pela Thames, pelo bom nível técnico, de acordo com o diretor da multinacional inglesa.
Com faturamento de cerca de US$ 2 bilhões e lucro de US$ 600 milhões em 1998, a Thames Water atua em 15 países, afirmou Gabrielli. A empresa, privatizada em 1989, tem investimentos planejados na ásia, Oceania e Europa, e só no ano passado o diretor da empresa no Brasil conseguiu "convencer" os dirigentes da Thames a abrir escritório no Rio de Janeiro.
Questão jurídica - Gabrielli afirmou que o grande obstáculo à privatização do setor de saneamento continua a ser a dúvida sobre quem detém o poder de conceder a licença para a execução do serviço - o Estado ou o Município. Na opinião do executivo, esta dúvida legal pode estar resolvida em 12 meses. Mas Estados onde não há divergências entre prefeituras e o governo estadual, como a Bahia, não terão dificuldade em adiantar o processo de privatização do setor de saneamento, afirmou.
A palestra de Gabrielli no seminário, sobre a visão da Thames Water, apontou como desvantagens para investimentos no Brasil, além da questão jurídica sobre o poder concedente, a falta de implementação da "excelente" legislação ambiental, as leis obscuras ou ausentes sobre o setor. Os riscos de tensões sociais e a política monetária também são apontadas como causas para afastar o interesse do setor no Brasil.
Como fatores para atrair o investimento, a Thames cita as tarifas "realistas" do serviço no Brasil, o crescimento econômico e a estabilidade política, a necessidade crescente por melhores serviços e o tamanho do mercado, que diminui o impacto de um alto nível de competição.Por Gustavo Alves ATENÇÃO EDITOR: Essa retranca acrescenta informação no primeiro parágrafo

mockup