Texto dúbio de projeto barra pesquisa com células-tronco
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília, DF- Integrantes da Academia Brasileira de Ciências vão a Brasília amanhã tentar convencer senadores a mudar o texto sobre pesquisa com células-tronco no projeto de lei de Biossegurança. O artigo, considerado dúbio e mal redigido pelos cientistas, impede, em última instância, a pesquisa com células-tronco de embriões.
Os integrantes da comissão deverão se reunir com o presidente do Senado, José Sarney. ''Do jeito que está nenhuma comissão de ética aprovaria uma pesquisa envolvendo células de embriões'', afirma a geneticista da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zatz. ''Estamos perdendo um tempo precioso'', argumenta.
A proposta da Academia Brasileira de Ciências é que sejam liberadas pesquisas com embriões descartados por clínicas de fertilização assistida. Isso ocorre em duas condições: quando os embriões são considerados de qualidade duvidosa ou quando estão há muito tempo congelados. Pesquisas recentes revelam que embriões de má qualidade mostram ser úteis para formação, em laboratório, de linhagens de células germinativas. ''É um trunfo precioso para desenvolvermos pesquisas em várias áreas. Estudos que podem salvar vidas'', defende Mayana.
A pesquisadora lembra que centros de pesquisa brasileiros contam com toda tecnologia para desenvolver pesquisas com clonagem de células embrionárias para fins terapêuticos. ''Hoje fazemos com células de cordão umbilical. Mas o ideal é que possamos desenvolver os trabalhos de forma simultânea: clonagem com células adultas e com células de embrião.''
Ela acrescenta, ainda, que em alguns casos, o uso de células adultas está totalmente descartado. Isso ocorre, por exemplo, com doenças genéticas: uso de células-tronco da medula dos próprios pacientes não tem nenhuma utilidade terapêutica.
Estudos com células embrionárias estão sendo desenvolvidos em vários países da União Européia e no Japão. ''Quanto mais o tempo passar maior o número de técnicas patenteadas por outros países. O que vai dificultar muito o nosso trabalho'', alertou Mayana. Mais do que isso, há o risco de países desenvolverem tratamentos. ''O que vamos fazer, quando isso acontecer? Negar uma terapia para um paciente porque ela é fundamentada com clonagem de células embrionárias?'', questiona a pesquisadora.
''Teremos de pagar o tratamento pelo Sistema Único de Saúde, e aí, uma nova sangria de recursos vai ser registrada. Uma sangria que pode ser evitada, desde que nos deixem pesquisar.''


