Texaco prepara resgate da balsa no Pará
Agência Estado
De Belém
Uma operação delicada na qual não pode haver falhas, sob pena de provocar um desastre ambiental, vai tentar resgatar do fundo do rio Pará a balsa Miss Rondônia, que afundou com 1,8 milhão de litros de óleo na sexta-feira, perto do porto de Vila do Conde, em Barcarena, a 20 quilômetros de Belém. O resgate deve ser feito entre quarta e quinta-feiras, mas ainda depende de estudos que deverão ser completados amanhã. A balsa pertence à Transportadora Conama e quando afundou estava a serviço da empresa norte-americana Texaco, que a abastecia no porto.
A Capitania dos Portos abriu inquérito para apurar as causas do acidente. Os fortes ventos que sopravam na região e a correnteza da maré foram inicialmente apontados como responsáveis pelo afundamento da balsa.
Uma equipe de dez mergulhadores, quatro deles contratados pela Texaco e outros seis do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), tem mergulhado para verificar como está a balsa e se há sinais de vazamento. A embarcação está a seis metros de profundidade com maré cheia e não emborcou, como temiam os técnicos. Os bombeiros informaram que até o final da tarde de ontem não havia sinais de vazamento de óleo. Também não foi observada qualquer perfuração no casco, embora a visibilidade no local esteja comprometida pelas águas barrentas do rio Pará.
O combustível está armazenado em seis tanques, cada um com capacidade para 300 mil litros de óleo. Funcionários da Texaco, ambientalistas e técnicos do meio ambiente dos governos federal e estadual fizeram um cinturão de bóias e ergueram barragens de contenção numa área de 1.200 metros em volta do local onde a balsa afundou. As empresas internacionais Smith American Inc. e Oil Spill Response Limited, as mesmas que resgataram navios fundeados com óleo no Rio Grande do Sul e Maranhão e atuaram na Baía de Guanabara, atingida pelo vazamento de óleo da Petrobras, foram contratadas pela Texaco para fazer o resgate da balsa e retirar o óleo de seus tanques.
O risco de vazamento é de apenas 1%, mas mesmo que isso ocorra não haverá problema, porque o óleo ganha consistência quando está frio. Ele pesaria mais do que a água, disse o gerente regional da Texaco, José Ferreira Amin. Perguntado sobre o que aconteceria em caso de uma fissura e rompimento dos tanques, ele acrescentou que a água entraria nos tanques, mas não se misturaria com o óleo. Ela ficaria por cima do óleo, por ser mais leve. Amin ressaltou que não falava como especialista no assunto. Ele disse que apenas estava transmitindo informações dos técnicos.
O plano de resgate, depois de finalizado, terá de ser submetido aos órgãos ambientais, Capitania dos Portos e Defesa Civil, que poderão aprová-lo se estiverem dentro das normas ambientais. Seremos rigorosos no cumprimento das medidas preventivas para evitar a contaminação do rio Pará, garantiu o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará, Paulo Castelo Branco. Será uma operação feita por técnicos de reputação internacional e tudo dará certo, afirmou Amin.





