Texaco prepara resgate da balsa carregada de óleo do fundo do rio Pará
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domingo, 06 de fevereiro de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 06 (AE) - Uma operação delicada na qual não pode haver falhas, sob pena de provocar um desastre ambiental, vai tentar resgatar do fundo do rio Pará a balsa Miss Rondônia, que afundou com 1,8 milhão de litros de óleo na sexta-feira, perto do porto de Vila do Conde, em Barcarena, a 20 km de Belém. O resgate deve ser feito entre quarta e quinta-feiras, mas ainda depende de estudos que deverão ser completados terça-feira. A balsa pertence à Transportadora Conama e quando afundou estava a serviço da empresa norte-americana Texaco, que a abastecia no porto.
A Capitania dos Portos abriu inquérito para apurar as causas do acidente. Os fortes ventos que sopravam na região e a correnteza da maré foram inicialmente apontadas como responsáveis pelo afundamento da balsa. "Vamos ouvir todas as versões e investigar as causas, mas por enquanto é cedo para tirar uma conclusão", afirmou o capitão dos Portos do Pará, Laury Ramos.
Vazamento - Uma equipe de dez mergulhadores, quatro deles contratados pela Texaco e outros seis do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), tem mergulhado para verificar como está a balsa e se há sinais de vazamento. A embarcação está a seis metros de profundidade com maré cheia e não emborcou, como temiam os técnicos. Os bombeiros informaram que até o final da tarde de hoje não havia sinais de vazamento de óleo. Também não foi observada qualquer perfuração no casco, embora a visibilidade no local esteja comprometida pelas águas barrentas do rio Pará.
O combustível está armazenado em seis tanques, cada um com capacidade para 300 mil litros de óleo. Funcionários da Texaco, ambientalistas e técnicos do meio ambiente dos governos federal e estadual fizeram um cinturão de bóias e ergueram barragens de contenção numa área de 1.200 metros em volta do local onde a balsa afundou. As empresas internacionais Smith American Inc. e Oil Spill Response Limited, as mesmas que resgataram navios fundeados com óleo no Rio Grande do Sul e Maranhão e atuaram na Baía de Guanabara, atingida pelo vazamento de óleo da Petrobras, foram contratadas pela Texaco para fazer o resgate da balsa e retirar o óleo de seus tanques.
"O risco de vazamento é de apenas 1%, mas mesmo que isso ocorra não haverá problema, porque o óleo ganha consistência quando está frio. Ele pesaria mais do que a água", disse o gerente regional da Texaco, José Ferreira Amin. Perguntado sobre o qua aconteceria em caso de uma fissura e rompimento dos tanques, ele acrescentou que a água entraria nos tanques, mas não se misturaria com o óleo. "Ela ficaria por cima do óleo, por ser mais leve". Amin ressaltou que não falava como especialista no assunto. Ele disse que apenas estava transmitindo informações dos técnicos.
Operação - Para fazer a balsa flutuar, será necessário retirar a maior parte do óleo armazenado nos seis tanques."Teremos que aquecer o óleo dentro dos tanques a uma temperatura de pelo menos 50 graus, para que ele se torne mais fino e possa ser sugado pelos condutores e armazenados em outros taqnues que serão utilizados na operação", disse Amin. De acordo com ele, a Texaco tomou todas as providências para tentar retirar a balsa do fundo do rio sem provocar danos ambientais. "A empresa que transportou o óleo deveria ser responsabilizada, mas se houver um acidente na hora do resgate da balsa todo mundo vai dizer que a culpada foi a Texaco."
O plano de resgate, depois de finalizado, terá de ser submetido aos órgãos ambientais, Capitania dos Portos e Defesa Civil, que poderão aprová-lo se estiverem dentro das normas ambientais. "Seremos rigorosos no cumprimento das medidas preventivas para evitar a contaminação do rio Pará", garantiu o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará, Paulo Castelo Branco. "Será uma operação feita por técnicos de reputação internacional e tudo dará certo", afirmou Amin.


