Teto de igreja do século 18 ameaça desabar em Salvador
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 9 (AE) - O teto da Igreja da Ordem Primeira do Carmo, do século 18, está ameaçado de desabar por causa do comprometimento de toda a estrutura. O conjunto do Carmo formado pelas igrejas da Ordem Primeira, Ordem Terceira, o convento e um museu, monumentos tombados pelo Patrimônio Histórico são dos mais visitados pelos turistas na capital baiana. Por causa do problema, o local foi interdidato e teve o acesso proibido.
O frei Jadival Oliveira, administrador da igreja e convento do Carmo, revelou que o risco de um desabamento é iminente mas a pintura do forro, do final do século passado, ainda não foi afetada pelas infiltrações. Ele informou que o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado (Ipac) já elaborou um projeto de restauração do monumento, orçado em R$ 1 milhão, com inicio da obra previsto para setembro.
No entanto, frei Jadival teme que a estrutura do telhado
atacada por cupins e apodrecida pelas infiltrações de água da chuva, não resista até lá. "Sabíamos que o teto estava ruim, mas, recentemente, quando um pedreiro subiu para fazer o conserto de algumas goteiras, tomou um susto com o que viu", contou. Técnicos da Coordenação de Defesa Civil da Prefeitura também examinaram o local e condenaram a estrutura do telhado.
"Algumas peças de madeira simplesmente não existem mais", disse. Além do problema do teto, a igreja está com paredes descascadas, rachaduras e vidraças quebradas.
Arte - Foi a Ordem dos Carmelitas Calçados que começou a construir o conjunto do Carmo no inicio do século 17. As obras duraram mais de cem anos e refletem o fausto da época. Atualmente, o Carmo ainda guarda verdadeiros tesouros da arte sacra brasileira como o "Cristo atado à coluna" e o "Senhor morto", esculturas de Francisco Xavier Chagas, o "Cabra" que usou pedras de rubi para representar gotas de sangue.
No forro da capela do convento, há uma pintura de 1788, de José Joaquim da Rocha, considerado um dos maiores artístas do barroco brasileiro. O forro em caixotões, elaborado no inicio do século 18 pelo frei Euzébio de Matos, transformaram a sacristia de estilo rococó da Igreja da Ordem Primeira numa das mais belas do País.


