Teto caiu como dominó, segundo testemunha
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 07 (AE) - O empresário Cristiano Braga, de 30 anos, e seu amigo Heitor Laurelli, olhavam o movimento da Rua Tabapuã, encostados na porta de entrada da Transcar, empresa de propriedade de Braga. Eram 12h40. "De repente, de dentro do supermercado saiu uma rajada de vento cobrindo tudo de pó e atirando papéis, caixas e objetos" contou Braga.
Segundo ele, as moças dos caixas, que ficam na entrada do supermercado, saíram correndo, umas atropelando as outras. "Muito rapidamente tudo foi caindo de trás para frente; como se fosse dominó", disse a encarregada do supermercado Jane del Papa, de 29 anos, que se encontrava no refeitório quando o desabamento ocorreu.
Nesse momento, o açougueiro Ailton Marques de Oliveira, de 28 anos, estava no banheiro. Evangélico, quando Oliveira viu o telhado caindo e a poeira levantando pensou: "As profecias bíblicas estão se confirmando: Jesus está voltando."
Não estava. Eram pedaços de madeira, caibros e ripas que caíam sobre funcionários e clientes, provocando muito pânico. Pessoas cobertas de entulho pediam socorro. "O acidente só não foi mais grave porque as gôndolas sustentaram parte do telhado que caiu", explicou Vera Giangrande, ombudsman do Pão de Açúcar.
Do lado de fora, enquanto Braga ligava para os bombeiros
Laurelli corria para socorrer as vítimas. Retirou seis pessoas dos escombros. "Parecia um filme de terror; tinha até uma mulher com parte do braço pendurado e uma japonezinha com a cabeça arrebentada", disse para Braga. Enquanto isso, do outro lado da cidade, Maria de Lurdes Candida de Jesus Alvarenga, de 48 anos, moradora do Jardim Irene, preparava-se para ir ao mercado fazer compras. Sua filha Camila havia acabado de ligar a televisão que mostrava imagens do desabamento. Maria de Lurdes ficou desesperada sem saber o que fazer.
É que sua filha Solange Aparecida de Jesus Alves, de 19 anos trabalha como faxineira no supermercado. "Pedi ajuda a uma vizinha e viemos de carro correndo para cá", contou. Nem mesmo quando viu que o nome de sua filha não estava na relação de feridos ficou tranquila. Perguntava a todos se tinham visto Solange e ninguém sabia informar. Irritada, Maria de Lurdes não se conteve e chegou a bater em dois rapazes que riam dela.
Fachada - O supermercado, que pertencia ao Grupo Peralta
passou para o Pão de Açúcar em janeiro. "Os donos do Pão de Açúcar só arrumaram a fachada; não fizeram nenhuma reforma no prédio", afirmou a estudante de turismo Maria Marta Crippa, 28 anos, que mora no bairro. "O prédio é muito antigo; nunca passou por manutenção e quando ia fazer compras notava que havia muitas infiltrações", disse. Maria Marta acredita que o madeirame do telhado estava atacado por cupins. Há dois meses uma das placas do forro caiu no setor de laticínios.


