Testosterona garante saúde do homem
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Goiânia - Detectar a deficiência de testosterona no homem pede um olhar médico mais apurado. Esse foi o alerta de especialistas feito durante o 32º Congresso Brasileiro de Urologia, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que reuniu profissionais de todo o País no início do mês em Goiânia (GO). A testosterona é fundamental para manter a boa saúde masculina - desde uma ereção de qualidade até um coração saudável - e estudos já relacionam níveis normais do hormônio a uma maior longevidade.
O padrão hoje para diagnosticar a deficiência hormonal no homem - também conhecida como andropausa, hipogonadismo e distúrbio androgênico do envelhecimento masculino
(DAEM) - é um exame de sangue que mede a testosterona total no organismo. Porém, mesmo o exame apontando níveis dentro da normalidade - entre 300 e 400 nanogramas por decilitro de sangue - o homem pode ter problemas.
Os sintomas são classificados como sexuais e não sexuais. Entre eles estão queda da libido, disfunção erétil, atraso na ejaculação e redução na intensidade do orgasmo, cansaço, fadiga, alterações de humor e depressão, perda de massa muscular e aumento da gordura corporal, principalmente a abdominal. Além disso, a andropausa tem relação com as patologias que compõe a síndrome metabólica, que elevam o risco cardiovascular - alterações do colesterol e vasculares, diabetes e hipertensão.
Aqui vale um parênteses- os componentes da síndrome metabólica são tanto causa quanto consequência da deficiência de testosterona. A gordura abdominal, por exemplo, pode afetar a secreção de testosterona, e a deficiência do hormônio, por sua vez, favorece a obesidade. Por isso, a normalização dos níveis de testosterona facilita a perda de peso e o controle das doenças relacionadas com a síndrome metabólica. Estudos europeus mostram que a deficiência do hormônio está relacionada com maiores taxas de colesterol, afirma o urologista Ernani Rhoden, pesquisador e professor adjunto da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Para o urologista americano Abraham Morgentaler, professor associado da Harvard Medical School e diretor do Mens Health Boston, especializado em saúde reprodutiva e sexual masculina, apesar da deficiência de testosterona ser comum com o envelhecimento, os casos são subdiagnosticados e subtratados. Mas, como, afinal, fazer um melhor diagnóstico? Para Morgentaler, considerar os níveis de testosterona livre, além do total, e a história clínica do paciente é a melhor saída.
Encontro entre especialistas da área em julho deste ano em Paris, segundo Morgentaler, chegou ao consenso de que a deficiência de testosterona deve ser considerada síndrome clínica e bioquímica, que não tem relação só com exames de sangue, mas com sinais e sintomas que levam a uma redução significativa da qualidade de vida.
Ele explica que é importante compreender que, quando é dosada a quantidade total do hormônio, parte dele - cerca de metade - está ligada a uma molécula chamada SHBG, que faz com que a testosterona não esteja disponível do ponto de vista biológico para as células. Até aí, isso é considerado normal. O problema é que estudos mostram que, com a idade, a quantidade de testosterona ligada ao SHBG também aumenta e o resultado é menos hormônio na forma livre, apesar dos níveis normais . A conclusão é que o exame é útil, mas não conclusivo, aponta Morgentaler. Quando os níveis de testosterona estão entre 300 e 400 (nanogramas por decilitro) é preciso escutar o paciente e valorizar muito sua história clínica, ressalta Rhoden.
* A jornalista viajou a convite da Bayer Schering Pharma


