Testes em bebês previnem câncer
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sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em dezembro, será lançado em Londrina e região um projeto para aplicação de testes em crianças de até um ano de idade para prevenir o câncer de córtex adrenal. O projeto teve início em dezembro do ano passado e atualmente cobre 70% do Estado. Com o lançamento na região de Londrina e depois no Noroeste do Paraná, o objetivo será abranger todas as maternidades paranaenses até fevereiro do ano que vem.
A realização é do Centro de Genética Molecular e Pesquisa de Câncer em Crianças (Cegempac) e do Instituto Pelé Pequeno Príncipe, de Curitiba, com patrocínio do Governo do Paraná e apoio de voluntários e outras entidades. O teste é feito a partir da coleta de uma gota de sangue. A análise pode identificar se a criança possui uma alteração genética responsável pelo surgimento de um tumor em uma das glândulas adrenais, localizadas sobre os rins.
''O teste pode ser feito em qualquer idade, mas o nosso interesse recai sobre as crianças de até um ano porque o tumor ocorre com mais frequência até os três anos de idade'', explica Bonald Figueiredo, coordenador do projeto. A pesquisa vai até dezembro de 2007. Nesse período, a meta é realizar cerca de 200 mil testes.
No projeto, é utilizado um processo exclusivo, mais barato que outras técnicas devido aos reagentes escolhidos e desenvolvidos. Além disso, é mais rápido: são feitos cerca de 800 testes por dia. Segundo o Cegempac, o câncer de córtex adrenal é raro, mas no Paraná tem uma incidência de 12 a 18 vezes maior.
A chance de uma criança ter a alteração genética é de 1 em 1.500 se a mãe for paranaense. Entretanto, a mutação não representa necessariamente que haverá desenvolvimento do tumor. ''De cada 100 pessoas que têm a mutação, entre 5 e 10 desenvolvem o tumor'', explica Figueiredo.
O coordenador aponta que essa relação exige cuidado no fornecimento de informações à família da criança, para não causar alarmismo. ''A comunicação é delicada. Em geral, as mães preferem que alguém fale pessoalmente com elas. Chamamos para conversar. Insistimos que a mutação não é doença, que a probabilidade de surgimento do tumor é muito pequena'', diz Figueiredo.
Em casos de teste positivo, a mãe recebe materiais informativos e a criança passa a ser acompanhada por um médico a cada três meses. Diagnosticado precocemente e tratado, o câncer de córtex adrenal tem quase 100% de chance de cura.
O Cegempac planeja fechar estatísticas parciais sobre o projeto até fevereiro, para requisitar que a realização do teste em crianças de até um ano de idade seja obrigatória por lei, assim como o teste do pezinho. Atualmente, a mãe tem que assinar um termo de consentimento.
Ao final do projeto, os coordenadores planejam passar a tecnologia para o Estado, que então terá a responsabilidade de fazer os testes e o acompanhamento.
Por enquanto, não há explicação que aponte porque no Paraná a incidência desse tumor é maior. O Cegempac está realizado um mapeamento químico do Estado, que analisará a concentração de produtos químicos considerados cancerígenos no solo e nas águas paranaenses. Depois disso, haverá um cruzamento de dados.


