O trabalhador hoje sofre uma grande pressão do mercado, exigente e concorrido. Além da formação escolar e cursos complementares, os mais novos quesitos a serem preenchidos para conseguir um emprego referem-se a habilidades comportamentais específicas. Ao lado de um bom currículo, o candidato tem que apresentar facilidades de relacionamento interpessoal, adaptabilidade ao trabalho em equipe, condições de se comunicar com pessoas de todos os níveis, capacidade de ouvir o próximo e respeitar opiniões diferentes, abertura para mudar de opinião diante de bons argumentos, criatividade, capacidade de renovar e inovar, inciativa, vontade de aprimorar-se e uma galeria de atributos que funcionam como um passaporte para o mundo do trabalho.
''Hoje se fala em competências que abrangem os aspectos de comportamento. Isso está muito forte e a tendência é que se fortaleça ainda mais. As empresas querem informações sobre o conhecimento do candidato e também sobre seu potencial'', diz a psicóloga e consultora da Manager Assessoria em Recursos Humanos Eliana Ribeiro, autora do teste que a Folha publica nesta edição. Para o recém-formado, que tem pouca ou nenhuma experiência profissional, as competências comportamentais podem, muitas vezes, ter um peso maior que a própria formação prática.
Eliana ressalta que não são encontradas, naturalmente, pessoas com todas as habilidades comportamentais consideradas importantes pelos empregadores. Cada uma delas, no entanto, terá um peso fundamental de acordo com a vaga que se busca. Os testes aplicados também podem detectar as habilidades comportamentais ainda não desenvolvidas. ''Criatividade e iniciativa, por exemplo, são aspectos muito particulares de cada um e que podem se desenvolver'', diz ela.
Para exemplificar a importância dada pelas empresas para as características comportamentais, Eliana Ribeiro cita a abertura dos programas de treinees de grandes empresas para alunos de faculdades que não são consideradas de primeira linha, como ocorria até recentemente. ''Isso demonstra que as empresas querem conhecimento aliado a comportamento. Essa abertura dos programas treinees para alunos de outras instituições educacionais mostra o deslocamento de interesses na hora de escolher um funcionário,'' observa a psicóloga.
Para não se ver louco diante de tantas exigências, o trabalhador tem que ficar atento para não ultrapassar seus limites de concorrência. Eliana Ribeiro destaca que um ''nível de estresse adequado não é negativo, porque nos impulsiona''. Mas pode deixar de ser saudável à medida que vai além de nossa capacidade para suportá-lo. ''Não devemos nos violentar. Precisamos conhecer nosso grau de tolerância e procurar um local de trabalho em que podemos nos adequar. Existe sempre um local ideal para cada um'', diz.
Para os jovens, que muitas vezes têm atitudes mais provocativas, Eliana os aconselha a se adequar ao momento. ''Atitudes radicais não cabem mais'', diz.

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