Testemunhas viram acusados de matar moradores de rua
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Marcelo Godoy<br>Agência Estado 
São Paulo- A polícia procura cinco homens. Eles estavam em uma motocicleta e um carro preto e vestiam roupas escuras. Pararam ao lado de um mendigo na quinta-feira. Um deles disse: ''Aí, tiozinho''. E o outro completou: ''Mata, mata''. Pelo menos quatro testemunhas ligaram o grupo aos ataques contra moradores de rua no centro de São Paulo, que deixaram seis mortos e nove feridos. Elas deram pistas para a polícia investigar o caso.
Uma dessas pessoas afirmou ter visto os assassinos agredindo uma vítima. A polícia não revelou detalhes sobre essa testemunha, além do fato de ela não ser um mendigo. Uma outra pessoa contou que eles passaram horas antes pelo local onde mendigos foram atacados no dia 19. Pareciam fazer um reconhecimento do lugar a fim de planejar a ação.
Essa testemunha, que é uma moradora de rua, descreveu ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) o rosto de dois deles. Um é branco, magro e tem cabelos castanhos claros, cortados como moicano. Sua idade está entre 25 e 28 anos. Os olhos são claros. Outro é negro, forte, parece ter 30 anos e tem um bigode. O branco estava em uma motocicleta do tipo Harley-Davidson. O negro estava sentado no banco traseiro do carro.
Segundo essa testemunha, a moto com dois homens sem capacete chegou primeiro. Vinham devagar, olhando os mendigos que dormiam na Praça João Mendes e na Rua Tabatinguera - onde ocorreram 3 ataques. O carro preto - Opala, Santana ou Passat - vinha logo atrás. O veículo tinha película escura nos vidros. O homem do banco traseiro abriu a janela e fez um sinal aos da moto. Em seguida, eles partiram.
Naquele dia, dez moradores de rua foram atacados - cinco morreram. Na noite de domingo, o mesmo grupo foi visto passando pelo centro por outra testemunha, quando ocorreram na madrugada o assassinato de uma moradora de rua e ataques contra outros três.
E o que motivou esses crimes? A polícia ainda não sabe. Uma vingança, a ação de skinheads, e até um delito feito por agentes públicos. ''Nada disso está descartado, pois há grupos de skinheads que aceitam negros'', disse o delegado.
Os policiais receberam ontem um relatório preliminar do Instituto Médico-Legal, que descreve como morreram os seis mendigos. Dois tinham ferimentos do lado esquerdo do crânio e um do direito, todos na região temporal. Outros três tinham feridas dos dois lados, que podem ter sido provocadas por uma única pancada - o impacto de um lado da cabeça fez o outro se chocar contra o chão. De fato, os médicos acreditam que os assassinos mataram as vítimas com um único golpe, usando uma marreta, ou um martelo ou uma barra de ferro.


