Testemunhas do massacre do Carandiru vão depor hoje
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domingo, 24 de junho de 2001
Glaucia Leal Agência EstadoDe São Paulo 
As 14 testemunhas do julgamento do coronel Ubiratan Guimarães, comandante da ação que resultou no assassinato de 111 presos na Casa de Detenção de São Paulo, no Carandiru, em 1992, devem começar a ser ouvidas hoje. São dez testemunhas de acusação e quatro de defesa.
Foram arrolados pela acusação Marco Antônio Meira, Aparecido Donizete Domingues, Luís Carlos dos Santos Silva, Osvaldo Negrini Neto e Aparecido Fidélis. Também foram convocados os presos David Ferreira de Lima, Daniel Soares, Paulo Roberto de Oliveira Bororó, Luiz Alexandre de Freitas e Genivaldo Araújo dos Santos. Os cinco já estão na carceragem do Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, onde acontece o julgamento.
A defesa convocou o procurador Pedro Franco de Campos, os juízes Ivo de Almeida e Fernando Antônio Torres Garcia e o juiz aposentado Antônio Luis Filalardi.
Até agora a defesa afirmou que vários policiais militares foram feridos no confronto. Além disso, foi levantada a hipótese de que vários dos presos assassinados poderiam ter sido mortos pelos próprios colegas. Outro argumento é que os presos usaram táticas de guerrilha urbana (ameaçando policiais com sangue contaminado pelo vírus da aids e atirando fezes e urina nos soldados).
O coronel tem acompanhado as leituras até agora com tranquilidade. Seu advogado, Vicente Cassione, se mostrou em alguns momentos incomodado com consecutivos erros de leitura das funcionárias do tribunal. A própria juíza Maria Cristina Cotrofe, que preside os trabalhos, tem se incomodado diante dos equívocos.
A dona de casa Celina Aparecida dos Santos Silva acompanhou o julgamento. Seu filho, o detento Mauro Batista da Silva, de 27 anos, foi uma das 111 vítimas. Hoje o presidente da Associação das Vítimas do Estado de São Paulo, Hélio Secio, de 62 anos, pretende acorrentar-se aos portões do fórum em protesto contra a impunidade dos crimes. Seu filho, o comerciante Hélio Secio Júnior, de 29 anos, foi assassinado há quatro anos após se envolver em uma discussão com o zelador de um prédio. Segundo Secio, o criminoso continua solto.


