As 14 testemunhas do julgamento do coronel Ubiratan Guimarães, comandante da ação que resultou no assassinato de 111 presos na Casa de Detenção de São Paulo, no Carandiru, em 1992, devem começar a ser ouvidas hoje. São dez testemunhas de acusação e quatro de defesa.
Foram arrolados pela acusação Marco Antônio Meira, Aparecido Donizete Domingues, Luís Carlos dos Santos Silva, Osvaldo Negrini Neto e Aparecido Fidélis. Também foram convocados os presos David Ferreira de Lima, Daniel Soares, Paulo Roberto de Oliveira Bororó, Luiz Alexandre de Freitas e Genivaldo Araújo dos Santos. Os cinco já estão na carceragem do Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, onde acontece o julgamento.
A defesa convocou o procurador Pedro Franco de Campos, os juízes Ivo de Almeida e Fernando Antônio Torres Garcia e o juiz aposentado Antônio Luis Filalardi.
Até agora a defesa afirmou que vários policiais militares foram feridos no confronto. Além disso, foi levantada a hipótese de que vários dos presos assassinados poderiam ter sido mortos pelos próprios colegas. Outro argumento é que os presos usaram táticas de guerrilha urbana (ameaçando policiais com sangue contaminado pelo vírus da aids e atirando fezes e urina nos soldados).
O coronel tem acompanhado as leituras até agora com tranquilidade. Seu advogado, Vicente Cassione, se mostrou em alguns momentos incomodado com consecutivos erros de leitura das funcionárias do tribunal. A própria juíza Maria Cristina Cotrofe, que preside os trabalhos, tem se incomodado diante dos equívocos.
A dona de casa Celina Aparecida dos Santos Silva acompanhou o julgamento. Seu filho, o detento Mauro Batista da Silva, de 27 anos, foi uma das 111 vítimas. Hoje o presidente da Associação das Vítimas do Estado de São Paulo, Hélio Secio, de 62 anos, pretende acorrentar-se aos portões do fórum em protesto contra a impunidade dos crimes. Seu filho, o comerciante Hélio Secio Júnior, de 29 anos, foi assassinado há quatro anos após se envolver em uma discussão com o zelador de um prédio. Segundo Secio, o criminoso continua solto.

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