São Paulo, 24 (AE) - Testemunhas de defesa da vereadora paulistana Maeli Vergniano (sem partido) acusaram hoje o ex-motorista Elizeu Sanches de tentar se vingar da parlamentar, com as denúncias que fez contra ela. Maeli controlava a Administração Regional de Pirituba e pode ser cassada por falta de decoro parlamentar. Ela é acusada de peculato.
Três testemunhas depuseram a favor de Maeli hoje na Comissão Processante da Câmara Municipal de São Paulo. O primeiro a depor foi o ex-estagiário de direito da vereadora, Alexandre Soares. Tanto ele quanto o segundo depoente, o pastor Aparecido Venâncio, tentaram descaracterizar as denúncias do ex-motorista de Maeli.
Eles afirmaram que Sanches pode ter feito as denúncias contra Maeli por ter sido removido do cargo para passar a ser administrador do Cemitério da Lapa e ganhar R$ 700,00. Soares afirmou à comissão que Sanches o procurou porque queria uma fita de vídeo que incriminaria a vereadora. Ainda segundo ele, caso a fita fosse entregue, Sanches teria dito que ele estava livre de depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Soares também disse que Sanches chegou a oferecer R$ 5 mil pelo material. No primeiro depoimento à CPI, Soares não mencionou a fita. Ele justificou o ato por estar nervoso.
O pastor, que é sogro de uma ex-funcionária de Maeli, a advogada Maria Alzeli Vasti da Silva, disse que o relacionamento que tinha com a vereadora era apenas religioso. O pai de Maeli é pastor no mesmo templo de Venâncio e hierarquicamente superior a ele.
Quanto a Sanches, ele disse que o ex-motorista foi à sua casa e comentou com sua mulher que estaria chateado por causa do cargo no cemitério e por ganhar menos. O pastor afirmou que depois da visita de Sanches, o seu telefone foi grampeado. Ele diz saber que o aparelho estava com problemas porque ele é técnico em manutenção.
Venâncio contou também que em uma noite foi seguido por um carro com vidros escuro. Nessa mesma noite, segundo ele, uma das pessoas teria anotado a placa de seu carro. Entretanto, o pastor disse que não registrou nenhum boletim de ocorrência das duas situações. "Não posso afirmar que tenha algo haver com Elizeu. Mas, depois do momento que ele esteve na minha casa eu perdi a paz", disse.
A nora de Venâncio esteve ontem (23) na Comissão Processante e negou qualquer tipo de coação por parte de Sanches.
Os trabalhos foram interrompidos às 13h30 e seriam retomados às 14h45. Os trabalhos da manhã terminaram com os depoimentos do gerente da filial da Mooca da empresa Vega Ambiental, Valnei Souza Nunes. Ele confirmou que o carro Fiat Uno com a placa CGX-9233 flagrado com a vereadora era empresa para prestar serviços na Regional de Pirituba.
Nunes disse também que só soube do uso do carro por Maeli depois da reportagem publicada pelo Jornal da Tarde.
Mais quatro pessoas deporiam na tarde de hoje. Duas outras testemunhas que foram convocadas pela comissão não compareceriam porque foram presas anteontem. Um deles, Márcio Tristão Vergniano, é irmão da vereadora. O outro, o pastor Rubens Moura, que apesar de trabalhar no gabinete de Maeli, tinha uma sala na regional.
Prisão - Os dois foram presos ontem por volta das 19h30, no Departamento de Registros Diversos, por desobediência. Segundo o delegado Romeu Tuma Júnior, responsável pelo inquérito
eles faltaram diversas vezes ao depoimento. A Comissão Processante os interrogará no dia 4 de agosto.
A vereadora Ana Maria Quadros (PSDB), que preside a Comissão Processante, disse que as várias planilhas e documentos que foram pedidos à Vega Ambiental, serão usados para conferir as denúncias de que Maeli usou o carro da empresa particularmente.

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