Testemunhas denunciam uso de CC5 pelo crime organizado no PR
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Gilse Guedes 
Brasília, 17 (AE) - Cinco testemunhas prestaram hoje depoimento à CPI do Narcotráfico, três das quais encapuzadas, para denunciar o envolvimento de pelo menos um parlamentar, dois juízes, 200 policiais e empresários com o crime organizado no Paraná. Eles denunciaram um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas utilizando o sistema legal de transferência de recursos por meio das contas CC5 e existência de empresas fantasmas no Paraná controladas pelo crime organizado. Grupos paranaenses estariam ligados ao traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, a esquemas ilegais no Espírito Santo, e ao ex-deputado Hildebrando Pascoal, que está preso no Acre e teve seu mandato cassado.
A CPI ameaçou hoje responsabilizar o Banco Central (BC) e agências bancárias por conivência com o narcotráfico por causa da demora no envio de dados sigilosos para a comissão. O deputado Robson Tuma (PFL-SP), integrante da CPI, disse estranhar o fato de a comissão ter recebido o detalhamento de somente duas contas bancárias do deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão do empresário Paulo César Farias, com movimentações praticamente zero. Até hoje, não haviam sido enviadas à comissão as transações bancárias do ex-deputado Hildebrando Pascoal.
A comissão poderá pedir uma operação de busca e apreensão para obter documentos relativos à quebra de sigilo em bancos que estariam sonegando informações. Segundo Tuma, representantes de agências bancárias poderão ser indiciados por co-autoria no crime de sonegação de dados. Os integrantes da comissão têm uma audiência marcada para a próxima terça-feira com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, para pedir empenho do governo a fim de que a CPI receba informações necessárias para dar andamento às investigações.
"Há bancos que estão atendendo às nossas solicitações, mas outros não e não sabemos a razão", disse o relator da comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE). Segundo ele, a lei que regulamenta as CPIs prevê pena de reclusão de dois anos para quem obstrui os trabalhos das comissões.
Depoimento - Somente dois depoimentos, o deputado Angelo Vanhoni (PT), que presidente uma CPI no Paraná, e do delegado de Polícia Civil Adalto de Oliveira, foram abertos para a imprensa. As outras três testemunhas falaram em caráter reservado e encapuzadas, porque têm medo de morrer.
Vanhoni disse à CPI que parte dos R$ 8,9 bilhões transferidos por titulares de contas CC5 no Paraná pode ter origem no tráfico de drogas e roubo de cargas. Ele afirmou ainda que nos dois últimos anos quatro mil empresas foram registradas na junta comercial de Foz do Iguaçu, boa parte delas suspeita de ser fantasmas. A CPI vai ao Paraná para dar andamento às investigações.


