São Paulo, 27 (AE) - O grupo religioso Testemunhas de Jeová promoveu hoje, em São Paulo, um seminário para relembrar a perseguição sofrida pelos integrantes da igreja durante o regime nazista. A discriminação registrada entre 1933 e 1945 afetou a vida de cerca de 10 mil alemães que professavam a doutrina das Testemunhas, contrária à política belicista de Adolf Hitler. Mais de 6 mil foram presos e 2 mil perderam a vida, de acordo com informações divulgadas no evento.
A partir de sua sede nos Estados Unidos, a entidade está promovendo reuniões em vários países para recordar a tragédia. No Brasil, também foi realizado um encontro no Rio, na terça-feira. O objetivo dos nazistas não era eliminar as Testemunhas de Jeová, como ocorria em relação aos judeus. Segundo um dos participantes do seminário, o alemão Rudolf Graichen, de 74 anos, a perseguição visava a eliminar a religião. "Os nazistas ofereciam liberdade às Testemunhas de Jeová se renunciassem à fé."
Graichen contou que, quando tinha 14 anos, as autoridades o afastaram dos pais e o enviaram para um reformatório. Mais tarde foi colocado na prisão, de onde saiu em 1945. Sua mãe, internada num campo de concentração, morreu de tifo. O pai, porém, ganhou a liberdade, após renegar a crença.
Outra sobrevivente, Magdalena Reuter, contou que ficou três anos num campo de concentração. Identificadas com um triângulo roxo sobre a roupa, as Testemunhas não se alistavam para a guerra e não faziam a saudação oficial, dizendo Heil Hitler.
A organização atua no Brasil há cem anos. Até a década de 60 constituía um pequeno grupo, com 20 mil seguidores, identificados sobretudo por fazerem proselitismo corpo a corpo e pelo fato de rejeitarem transfusões de sangue. Em três décadas, porém, o grupo expandiu-se. Hoje seus seguidores somam 490 mil, segundo a igreja.

mockup