Testemunhas da CPI podem definir cassação de Hildebrando
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terça-feira, 20 de julho de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 21 (AE) - Duas novas testemunhas, que irão depor na CPI do Narcotráfico dentro de 15 dias, poderão definir a cassação do deputado Hildebrando Paschoal (PFL-AC). A primeira testemunha disse à Polícia Federal estar disposta a explicar na CPI como Hildebrando mandou matar o traficante José Hugo, apontado como assassino de Itamar Paschoal, irmão do deputado. A segunda testemunha garante que Hildebrando contratou um matador profissional para eliminá-la, mas que o matador desistiu e acabou revelando o esquema montado pelo deputado.
Os nomes dos depoentes são mantidos sob sigilo por motivos de segurança. Parlamentares da CPI afirmaram, entretanto, acreditar que o depoimento mais importante deverá ser da primeira testemunha, que garante ter nomes e até provas sobre o esquadrão da morte que seria gerenciado por Hildebrando. Esta pessoa garante que o deputado contratou o pistoleiro conhecido como "Chico Dente de Ouro" para matar José Hugo e afirma dispor de prova palpável do envolvimento de Hildebrando Paschoal com o crime organizado. Ela solicitou sua inclusão no Programa de Proteção de Testemunhas para prestar depoimento.
Esta primeira testemunha disse que vai explicar na CPI do Narcotráfico a negociação de Hildebrando com o pistoleiro. Na primeira conversa que teve com a Polícia Federal, ela afirmou que o deputado chegou a dar uma caminhonete F-1000 e um caminhão de boiadeiro a "Chico Dente de Ouro", que seriam veículos usados, para cometer o crime.
Hildebrando chegou a distribuir no Acre cartazes oferecendo recompensa pela cabeça de José Hugo, com direito a anúncio na televisão.
A segunda testemunha prestou depoimento ao Ministério Público. Segundo as primeiras informações que chegaram aos parlamentares, esta testemunha seria morta por um matador contratado por Hildebrando. O matador teria desistido do negócio e teria explicado em detalhes o plano do deputado.
O presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PTB-ES), disse que deverá convocar as duas testemunhas no início de agosto, assim que forem abertos os trabalhos legislativos. Os parlamentares da CPI dão como certa a cassação de Hildebrando ainda em agosto e já não expressam preocupação com o regimento interno da casa, que determina cassação por quebra de decoro somente com relação a crimes cometidos antes de o parlamentar ser eleito, já que Hildebrando é acusado de ter ameaçado, este ano, testemunhas que o incriminam.
Os deputados dizem que, caso o Congresso não encontre os meios de cassar Hildebrando, a imagem do Legislativo ficará arranhada com as notícias sobre as várias testemunhas que vêm apontando os crimes do deputado. Outras testemunhas que prestaram depoimento na Câmara comprovaram o envolvimento de Hildebrando com o tráfico de drogas, o contrabando de armas e o esquadrão da morte no Acre, entre elas o procurador da República Luiz Francisco de Souza, o ex-presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Gercino José da Silva Filho, que hoje é ouvidor Agrário Nacional, o ex-fiscal José Roberto da Silva Lima, que trabalhou dois meses na casa de Hildebrando, e o ex-presidente do Conselho de Entorpecentes do Acre, Guilherme Duque Estrada.


