Testemunhas confirmam envolvimento de Hildebrando na morte de policial
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Flávio Mello (enviado especial) 
Rio Branco, 13 (AE) - Oito testemunhas ouvidas hoje pela Justiça Federal confirmaram que o ex-deputado Hildebrando Pascoal e mais quatro acusados planejaram e executaram o assassinato do policial civil Walter José Ayala, segundo informou hoje o procurador da República José Roberto Santoro. Os depoimentos, nos quais as testemunhas ratificaram as declarações prestadas à Polícia Federal (PF) e à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, foram prestados na presença de todos os réus - uma exigência legal, na fase inicial do processo.
Ayala foi assassinado com um tiro à queima-roupa quando estava dentro de um ônibus em 12 de setembro de 1997, supostamente porque era testemunha e ia depor na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça na apuração das atividades do grupo de extermínio que agia no Estado. Além de Hildebrando, foram acusados o sargento da PM Alex Fernandes de Barros, o pistoleiro Raimundo Alves da Silva, o Raimundinho, o soldado da PM Ronaldo Romero e o soldado Reginaldo Rocha de Souza, conhecido como Régis.
A maioria dos depoentes deixou a Justiça Federal sem dar declarações, mas o arcebispo de Porto Velho e ex-bispo de Rio Branco, dom Moacyr Grecchi, reafirmou depoimento anterior à Polícia Federal (PF) e à CPI do Narcotráfico. "Eu confirmei ter informações a respeito da ação do esquadrão da morte no Estado e
com base nisso, não tenho dúvida de que o responsável era o senhor Hildebrando Pascoal", disse dom Moacyr.
O delegado da Polícia Civil Carlos Alberto Costa Bayma confirmou ter sido ameaçado por Hildebrando e pelo sargento Alex para liberar presos. Bayma disse que o sargento Alex contou-lhe por telefone sobre o assassinato de Ayala.
Os depoimentos sobre os homicídios atribuídos ao grupo de extermínio supostamente liderado por Hildebrando prosseguem na quarta-feira (15). O juiz Pedro Francisco da Silva, da 2.ª Vara Federal do Acre, vai ouvir as testemunhas de acusação no assassinato do bombeiro Sebastião Crispim, também testemunha do Conselho de Defesa da Pessoa Humana do Ministério da Justiça. Crispim foi assassinado um dia depois de Ayala.


