Boituva, SP, 01 (AE) - As cinco testemunhas de acusação ouvidas hoje (1) pela juíza Ana Cristina Paz Neri, do Fórum Distrital de Boituva, confirmaram a participação dos seis sem-terra que estão presos na depredação e saque a um pedágio na Rodovia Castelo Branco, no dia 10 de novembro de 99. Embora não tenham reconhecido os acusados, porque eles estavam encapuzados, elas disseram que todos os sem-terra participaram do ataque ao pedágio.
Os acusados haviam alegado que, embora estivessem no local, não tiveram participação no ataque. A ação ocorreu no Dia Nacional do Protesto, promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Cerca de 100 militantes destruíram as cabines com paus, pedras e coquetéis Molotov (bombas de fabricação caseira). A testemunha Roberto Galvão confirmou também que o dinheiro das cabines foi levada pelos encapuzados.
O advogado do MST, Luís Henrique Ferraz, considerou os depoimentos favoráveis aos acusados. "Ninguém os reconheceu como autores da depredação." Segundo ele, o roubo do dinheiro também não ficou provado. Para o promotor público Amauri Chaves Arfelli, as testemunhas provaram a participação dos réus na destruição e no saque do pedágio. "Não houve o reconhecimento direto porque eles estavam encapuzados." Segundo Arfelli, as testemunhas estavam com muito medo, tanto que pediram para ser ouvidas sem a presença dos acusados. Ele espera o depoimento de outras três testemunhas de acusação para reforçar o pedido de condenação dos sem-terra por formação de bando, dano e furto qualificado. Elas serão ouvidas por cartas-precatórias. Em seguida, a juíza ouvirá cerca de 30 testemunhas arroladas pela defesa.
O comando da Polícia Militar mobilizou cerca de 250 policiais para fazer a segurança do Fórum durante a audiência. Lideranças dos sem-terra tinham anunciado uma grande manifestação de protesto na cidade, mobilizando cerca de 5 mil militantes. As cinco entradas da cidade foram bloqueadas, a rua do Fórum foi interditada e parte do comércio não abriu.
Os acusados - Edmar Pereira dos Santos, Valquimar Reis Fernandes, Élvis Vieira Ferreira Lima, Rosalino Bispo de Oliveira, Odair Moraes da Rosa e Benedito Ismael Alves Cardoso - chegaram no Fórum algemados, de camburão. Mas não houve protesto
nem manifestações. Apenas alguns sem-terra circularam, isoladamente, pela cidade.
As tropas, que incluíam o pelotão de choque, o canil, a cavalaria e guarnições dos bombeiros, limitaram-se a fazer exercícios táticos em uma área perto do Fórum. "Eles mandaram espiões e, vendo o aparato policial, desistiram do protesto", disse o comandante da operação, coronel Josué álvares Pintor. O coordenador estadual do MST, João Paulo Rodrigues, disse que a mobilização para a libertação dos presos vai continuar em São Paulo, onde os militantes estão acampados desde a semana passada. "Estamos aguardando uma decisão do Tribunal de Justiça sobre o habeas-corpus impetrado pelos nossos advogados."