Testemunhas complicam Guilherme
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sábado, 25 de janeiro de 1997
Ronaldo Soares e Gustavo Alves Agência Estado 
RIO - Depois de protagonizar uma verdadeira exibição teatral ao ser interrogado em seu julgamento, o ator Guilherme de Pádua, acusado com a ex-mulher Paula Thomaz do assassinato da atriz Daniella Perez em 1992, ficou em situação complicada com o depoimento de três das quatro testemunhas do caso. Na versão das testemunhas, Pádua agrediu Daniella e a colocou em seu carro, onde foram encontradas manchas de sangue. A expectativa do público que acompanhou a sessão até o final da tarde de ontem é de condenação.
O resultado da sentença, entretanto, é imprevisível, já que no libelo acusatório o Ministério Público só pede a condenação de Pádua como autor dos golpes. Nesse caso, se os jurados entenderem que não foi Guilheme quem produziu as 18 perfurações que mataram Daniella, o réu não será incriminado nem como co-autor. Se isso ocorrer, Paula Thomaz - que deverá ser julgada em abril - poderá ser responsabilizada sozinha pelo crime. A previsão é a de que a sentença seja conhecida na madrugada de hoje.
A família da vítima já tem uma estratégia para o caso de absolvição. Saulo Ferrante, irmão da novelista Glória Perez, mãe de Daniella, anunciou ontem que a família vai recorrer até ao Congresso Nacional se houver absolvição ou mesmo se ele não for condenado à pena máxima.
Alguns juristas acreditam que, apesar de não ter ficado provado tecnicamente que Guilherme foi o autor dos golpes que mataram a atriz, ele será condenado porque se trata de um júri popular. Comentou-se ontem que o júri pode até mesmo ser anulado pelo advogado de Pádua, Paulo Ramalho, já que um jurado teria dormido durante a sessão.


