São Paulo, 10 (AE) - Uma testemunha, cujo nome não foi revelado, prestou depoimento na manhã de hoje na Corregedoria da Polícia Militar e reforçou a principal suspeita que o Ministério Público dá para explicar a causa de os PMs abordarem os três garotos, em São Vicente. Segundo o promotor de Justiça de São Vicente Alexandre Marcos Pereira, a testemunha reafirmou a versão de que um dos rapazes mortos teria abordado um homossexual, depois do baile de carnaval. Um dos jovens teria roubado o relógio dessa pessoa.
"O primeiro carro da polícia que o homossexual encontrou foi o da Cavalaria e, depois de entrar na Blazer, teria procurado os garotos com mais quatro policiais", contou o promotor, que afirmou não saber se o tenente Alexandre de Oliveira estava com os PMs ou foi chamado após a abordagem para verificar o caso e orientar o que fazer. "Tudo indica que um ou dois garotos podem ter sidos mortos como queima de arquivo", disse Pereira. "Parece que não foram os três que mexeram com o homossexual". Protesto - Às 13h15 de hoje, um grupo de 50 pessoas realizou um protesto em frente da Corregedoria da PM para pedir Justiça. Os pais de Anderson Pereira dos Santos e Paulo Roberto da Silva foram recebidos pelo corregedor da PM, coronel Luiz Carlos Guimarães, que prometeu empenho nas apuração. Segundo a PM, até a tarde de hoje 17 testemunhas já haviam sido ouvidas.
O indiciamento do sargento José Carlos Ferreira foi recebido com alívio pelos parentes de Paulo Roberto da Silva, um dos três executados na Quarta-Feira de Cinzas, em Praia Grande, no litoral paulista. "Pelo que soubemos, ele foi o que bateu mais, foi o mais violento", disse Valdir da Silva, pai da vítima. Para a noite estava marcada uma missa campal no local onde os três foram espancados. No domingo, haverá uma passeata que passará pela Ponte Pênsil com destino ao local em que os três foram executados, em Praia Grande. "Lá, iremos colocar três cruzes, plantar árvores e colocar flores, para que o local fique marcado e nunca mais sirva para desova de corpos", comentou Silva. (José Rodrigues e Natalie Antar, especial para a AE)

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