São Vicente, 05 (AE) - O tenente reconhecido como um dos participantes do crime. Dois policiais saindo de shorts da mata com as fardas nas mãos para escondê-las no carro do oficial e, em seguida, tomando banho em um posto de gasolina. Essas são as principais revelações feitas por quatro novas testemunhas do assassinato de três rapazes, ocorrido na Quarta-Feira de Cinzas, em Praia Grande.
Os depoimentos foram obtidos pela Corregedoria da PM. A primeira testemunha, um homem cujo nome não foi revelado, procurou a PM para dizer que vira, na manhã daquela quarta-feira
uma Blazer do Regimento de Cavalaria 9 de Julho parada na trilha que leva ao local onde os corpos dos rapazes foram achados ontem.
Além da Blazer, a testemunha viu mais dois veículos: um Daewoo verde-metálico e uma motocicleta Yamaha. O tenente Alessandro Rodrigues Oliveira é dono de um Daewoo com essa característica, apreendido pela corregedoria, e o soldado Alexandre Serafim Lara Costa havia emprestado a moto Yamaha de um amigo.
A testemunha não pôde reconhecer os policiais. Mas, hoje pela manhã, uma segunda testemunha fechou o cerco aos PMs. Segundo o coronel Luiz Carlos Guimarães, comandante da corregedoria, essa testemunha, também um homem, confirmou a presença do Daewoo e da moto no local e reconheceu o tenente e o soldado Marcelo de Oliveira Christov.
Até então, só o sargento José Carlos Ferreira e os soldados Christov, Lara Costa e Antônio Sérgio Quintas da Costa haviam sido reconhecidos pelas testemunhas. Os quatro, o tenente e os soldados Edvaldo Assis e Humberto da Conceição estão presos. "Todos serão indiciados até a segunda-feira", disse o coronel.
A segunda testemunha, afirmou o coronel, disse ainda que dois dos policiais saíram da mata vestindo shorts e levavam as fardas nas mãos. As roupas foram colocadas no carro do tenente. Eles entraram no Daewoo e saíram do local acompanhados pela Blazer da PM e pela motocicleta.
As últimas duas outras testemunhas, funcionários de um posto de gasolina na Rodovia Pedro Taques, viram na manhã da quarta-feira, policiais com fardas iguais às da cavalaria tomando banho de mangueira no posto, acompanhados de outras pessoas sem fardas.
IML - Em Santos, A perícia revelou que Thiago Passos Ferreira, de 17 anos, Paulo Roberto da Silva, de 21, e Anderson Pereira dos Santos, de 14, foram executados com um tiro na cabeça de cada um. O diretor do Instituto Médico-Legal em Santos, Edson Fuim, disse que os três tinham idênticos ferimentos à bala. Um deles levou um tiro na nuca e os outros dois foram baleados nas têmporas. Mas nenhum projétil foi achado.
"Eles devem ter ficado no local." Por causa disso, a delegada Elizabete Ferreira Sato, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), fez novas buscas onde os corpos foram encontrados. Ela também indiciará os PMs.
A Corregedoria da PM apreendeu três pistolas calibre 380 (semelhante ao 9 milímetros), sete revólveres calibre 38 e uma espingarda calibre 38. A coronha da espingarda estava quebrada. O corpo de Silva estava com o crânio esfacelado.
Em adiantado estado de decomposição, os corpos foram reconhecidos pelas roupas e por sinais particulares. A mãe de Ferreira, de 17 anos, a advogada Sílvia Giordano, identificou o filho pelo aparelho dentário e pelas roupas que usava na ocasião em que saiu de casa, na terça-feira de carnaval, antes de participar de um baile no Ilha Porchat Clube. A carteira do clube foi localizada no bolso da bermuda de Ferreira. Santos e Silva foram reconhecidos pelas roupas.

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