Mais de cinco anos após a morte da professora de música Estela Pacheco, 35 anos, que teria sido jogada já sem vida da sacada de um prédio no Centro de Londrina, o surgimento de uma nova testemunha pode elucidar um crime de grande repercussão na cidade. Hoje, Estela completaria 41 anos.
  Nunca se esclareceu a causa e o motivo da morte da então estudante do último ano de Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ocorrido às 5h40 do dia 14 de outubro de 2000. O fato se passou no apartamento do agropecuarista Mauro Janene Costa, 34 anos, situado no 12º andar do Edifício Diplomata, na Rua Paranaguá (Centro).
  Segundo o depoimento que sempre foi sustentado por Costa, ele e Estela teriam se encontrado por acaso no Bar Valentino e esticado a noite no apartamento. Após uma ‘‘brincadeira’’ na sacada, a professora teria perdido o equilíbrio e escapado dos braços de Mauro, caindo de uma altura de 36 metros.
  Laudos do Instituto de Criminalística (IC) revelaram, na época, que Estela já estava sem vida há cerca de uma hora quando foi atirada da sacada do imóvel. Costa, que passou cinco dias preso no decorrer das investigações, foi acusado pelo Ministério Público (MP), em maio de 2001, por homicídio simples, fraude processual (por ter deslocado o cadáver do local original) e guarda de substância entorpecente - uma porção com resíduos de maconha foi achada no quarto do agropecuarista.
  Mesmo com a exumação do corpo de Estela, 15 dias depois do fato, os peritos não conseguiram chegar a uma conclusão sobre o que teria provocado sua morte - a queda teria mascarado os indícios. Daí a importância da nova testemunha encontrada pelos advogados que assistem o MP na acusação de Costa, em processo que ainda está em fase de produção de provas.
  ‘‘Para nós foi uma grande surpresa. É a primeira testemunha ocular a falar do caso, um homem que estava com a vítima e o acusado na hora do crime’’, afirmou o advogado Jackson Romeu Ariukudo, que passou a acompanhar o processo no final do ano passado, a pedido da família de Estela, junto com o colega Márcio Domingues Alves.
  A identidade dessa pessoa, cujo pedido para depôr ainda aguarda deferimento pelo juiz da 1ªVara Criminal, João Luiz Cleve, não foi revelada. De acordo com Ariukudo, a própria testemunha procurou os advogados, dizendo que viu como foi a morte de Estela, mas que só irá relatar em juízo. ‘‘O que ele adiantou é que houve agressões verbais e físicas entre o casal (Estela e Costa), o que era muito comum, e que a morte foi decorrente da discussão’’, afirmou o advogado. Ele acredita que o depoimento dará um novo rumo ao processo.

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