Testemunha pode desvendar morte de juiz
amanhã, pela Polícia Federal, poderá elucidar o assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, que ocorreu no início do mês, em Concepción, no Paraguai. Hoje, fontes da PF confirmaram que as investigações sobre o crime estão praticamente concluídas. As denúncias feitas por ele sobre irregularidades no Judiciário de Mato Grosso, porém, continuarão sendo apuradas.
A polícia prefere manter em sigilo o nome da testemunha do caso, provavelmente ligada ao Judiciário. Durante toda a semana, foram ouvidas pessoas ligadas ao Poder. Depois de desvendar o crime, o Congresso e a PF vão concentrar as investigações numa suposta conexão envolvendo traficantes que atuam entre Mato Grosso e Alagoas, e teriam sido beneficiados com sentenças favoráveis pela Justiça.
Na segunda, um grupo de parlamentares das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Narcotráfico e do Judiciário segue para Cuiabá, para acompanhar os trabalhos da polícia. Vão investigar as denúncias apresentadas pelo juiz Amaral, que citou em dossiê 16 dos 20 integrantes da cúpula do Judiciário de Mato Grosso, como envolvidos em irregularidades, como venda de sentenças e ligação com o narcotráfico.
Uma das pessoas investigadas poderá ser o desembargador Flávio José Bertin, apontado como responsável pela libertação de pessoas envolvidas com tráfico de drogas. Segundo o presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PPB-ES), o desembargador já foi convocado pelos deputados, mas avisou que não vai prestar depoimento. "Vou trazê-lo nem que seja debaixo de vara", afirmou Malta. Hoje, depois de um longo período de silêncio em relação às denúncias de Amaral, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) indicou o ministro Fontes de Alencar para apurar as irregularidades. Esta é a primeira vez que um tribunal investiga outro. "Fatos graves como esses têm de ser rigorosamente apurados", afirma o presidente do STJ, ministro Antônio de Pádua Ribeiro. "O Judiciário não pode nunca ser alvejado na sua credibilidade", disse. Inicialmente, as duas CPIs tinham interesses divergentes, mas depois que foi levantada a hipótese de que o crime teria ligação com o narcotráfico, as opiniões começaram a convergir. O grupo de parlamentares deverá levantar as ligações entre o crime e os traficantes de drogas que estão sendo libertados em Mato Grosso, esquema que envolve a transferência de presos para Alagoas, para depois serem soltos.
O desembargador Flávio Bertin está sendo investigado pela PF e pela CPI do Narcotráfico por ser o responsável pela libertação de vários traficantes presos em Mato Grosso. Novas provas estão sendo catalogadas. Em dezembro de 1997, por exemplo
o traficante Leudson Galdino de Melo e Silva, o Naco, foi preso com nove quilos de cocaína que estariam sendo negociados com o vereador de Inaciolândia (GO) Fábio Gonçalves do Prado.
O processo não foi julgado em Mato Grosso, mas Melo e Silva foi posto em liberdade em 19 de fevereiro de 1998, por decisão de Bertin. O traficante voltou a ser preso em novembro de 1998. Em agosto de 1997, a PF prendeu uma quadrilha acusada de traficar de drogas. Uma juíza de Mato Grosso aplicou penas entre quatro a cinco anos de prisão aos acusados, mas, em março, os réus apelaram e tiveram recurso aprovado por três desembargadores, entre eles Bertin.
Em Cuiabá, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso divulgou hoje que o juiz Amaral desviou R$ 584 mil de contas judiciais da 2.ª Vara de Família e Sucessões de Cuiabá.
Segundo o juiz Manoel Ornellas, diretor do Fórum Cível de Cuiabá, há 2.461 processos para serem analisados. Ele diz que
em apenas 15 processos, foi constatado o desfalque que "poderá chegar a R$ 1 milhão" até o fim dos trabalhos. A Corregedoria Geral de Justiça alega que determinou a correição mediante denúncias de que o juiz estaria desviando dinheiro de depósitos bancários judiciais. Cerca de 40 pessoas, incluindo menores, teriam sido lesadas.por Edson Luiz, Hugo Marques e Nelson Francisco Brasília, 18 (AE) - A apresentação de uma importante testemunha





