Maceió, 26 (AE) - O aparecimento de uma testemunha ocular do assassinato do empresário Paulo César Farias tumultua o início das novas investigações sobre o caso. Os primeiros depoimentos estão marcados para amanhã (27), mas o secretário de Segurança Pública de Alagoas, Edmílson Miranda, e o promotor Luiz Vasconcelos, querem saber quem é o engenheiro Aílton Lopes, 58 anos, que, em entrevista à revista Isto É, disse que ficou sabendo da morte de PC - de quem era amigo desde 1979 e controlava uma de suas contas no exterior - através de um telefonema de Suzana.
"Me ajudem a encontrar esse senhor, que ele pode ser muito útil nas investigações que estamos iniciando", apelou à imprensa o secretário Edmílson Miranda, que proibiu os delegados Antônio Carlos de Azevedo Lessa e Alcides Andrade de Alencar de falarem sobre as investigações.
"A partir de agora só quem fala sobre o caso sou eu ou o promotor Luiz Vasconcelos", afirmou Miranda. Para ele, foi precipitado o delegado Lessa ter dito que descartava a tese de crime passional, no início das investigações. Segundo Edmílson, nenhuma das versões apresentadas - homicídio seguido de suicídio ou duplo homicídio - devem ser descartadas.
O promotor Luiz Vasconcelos, representante do Ministério Público Estadual nas investigações sobre o caso, também está tentando encontrar Lopes. Na entrevista à revista, o engenheiro disse que, em abril de 1990, abriu uma conta para o amigo PC na Alemanha, usando o nome de Konrad Muller e que essa conta chegou a ter um saldo de US$ 4 milhões. Segundo Lopes, esse dinheiro só começou a ser sacado quando o ex-presidente Fernando Collor foi afastado. Lopes afirmou ainda que fez movimentações financeiras para PC em bancos nacionais e estrangeiros. Segundo ele, depois da morte de PC, o saldo foi entregue ao deputado federal Augusto Farias (PFL).
"Estamos entrando em contato com a revista Isto É para que possamos localizar esse senhor", afirmou o secretário Edmílson Miranda, preocupado com a integridade física do engenheiro, que se diz ameaçado de morte. Na entrevista à Isto É
ele diz que quando ficou sabendo que PC foi assassinado foi direto à casa de praia do empresário e lá encontrou o amigo morto com um tiro no peito, sem camisa. "Quando voltei na manhã seguinte, encontrei tudo mudado e Suzana morta", afirmou Lopes. É exatamente sobre essa mudança no cenário do crime que o secretário e o Ministério Público estão interessados.
Os delegados Lessa e Alencar, que presidem as investigações sobre as mortes de PC e Suzana, começam amanhã a ouvir os depoimentos dos peritos que participaram da primeira fase do inquérito policial sobre o caso. Serão ouvidos os peritos Gerson Odilon, Nivaldo Cantuária, Horácio Brasileiro e Anita Gusmão. Os depoimentos começam pela manhã, no 3º Distrito Policial. Na quarta-feira (28), serão ouvidos o delegado Cícero Torres (que presidiu a pirmeira fase do inquérito) e seu auxiliar Antônio Monteiro. O ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, coronel José de Azevedo Amaral e o deputado Augusto Farias também serão ouvidos no caso.

mockup