Testemunha não comparece para depor contra Beira-Mar
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sexta-feira, 06 de dezembro de 2002
Felipe Werneck<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Adaílton Cardoso de Lima, principal testemunha de acusação e sobrevivente de uma execução supostamente comandada de dentro do presídio por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, em julho, não compareceu ontem ao Tribunal do Júri para depor no processo em que o traficante é acusado de homicídio.
Beira-Mar teria mandado matar, por telefone, três cúmplices na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias. Uma conversa foi grampeada com autorização da Justiça no dia 27 de julho. O crime seria uma vingança.
Na ocasião, duas pessoas foram assassinadas - Antônio Alexandre Vieira e Ednei Tomaz dos Santos. Lima foi baleado mas, levado para um hospital, conseguiu sobreviver. No entanto, está desaparecido. A Justiça não conseguiu localizar a testemunha para depor e o promotor responsável pelo caso, Rogério de Lima Sá Ferreira, não quis dar declarações.
A audiência de ontem, que inicialmente deveria ser realizada no Fórum de Duque de Caxias, foi transferida para 4º Tribunal do Júri, no centro do Rio, por medida de segurança. Homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar fizeram o transporte de Beira-Mar do presídio, em Bangu, ao Tribunal de Justiça.
Outras cinco testemunhas - quatro moradores da favela e um policial militar - prestaram depoimento ontem. O PM Gilberto dos Santos contou que quando chegou ao local do crime já encontrou um homem (Vieira) morto - Ednei dos Santos morreu no hospital. Segundo ele, os moradores da favela ainda sofrem ameaças do bando do traficante.
As outras quatro testemunhas negaram conhecer Beira-Mar e disseram não saber nada sobre o tráfico de drogas. O advogado de Beira-Mar, Lídio da Hora, disse que o processo é ''uma forçação de barra'' e que a voz na gravação interceptada não é de seu cliente.


