Belo Horizonte, 12 (AE) - O ex-menino de rua Rodrigo Andrade, de 18 anos, sobrevivente de uma chacina na capital mineira, muda versão sobre o crime e pode tirar da prisão o ex-policial Eduardo Salgado, condenado a 54 anos pelo assassinato de três adolescentes. Dizendo não querer carregar na consciência a prisão de um inocente, em novo depoimento em Contagem, Andrade afirmou ter mentido em 1996, sob coação. A declaração de Andrade foi registrada em 21 de junho e o caso reaberto.
O advogado de defesa do ex-policial, Kleber Guimarães, entrou com recurso no Tribunal de Justiça contra a condenação. O julgamento do recurso foi marcado para a primeira sessão após as férias forenses, em 3 de agosto.
Em 14 de março de 1996 três meninos foram sequestrados no centro de Belo Horizonte e levados algemados para o bairro Taquaril, onde foram mortos com tiros na cabeça. Os responsáveis pelo crime telefonaram para a redação de um jornal da cidade informando que as execuções eram um protesto contra a política de segurança pública do então governador Eduardo Azeredo (PSDB).
De acordo com investigações da polícia, o crime teria sido encomendado por comerciantes do centro, onde os menores cometiam pequenos furtos. Na época, um grupo de policiais vendia segurança aos comerciantes da região. Salgado, conhecido como Dom Ratão, foi indiciado, apesar de as investigações nunca terem apontar seus supostos companheiros de crime.
No novo depoimento o ex-menino de rua afirma que em momento algum pôde ver o ex-policial participando do sequestro dos colegas e que todos seus depoimentos anteriores foram sob ameaça, quando estava à disposição do Juizado da Infância e da Juventude. Com medo de represálias, o rapaz diz que quer apenas livrar um inocente da cadeia - um homem que ele nunca havia visto antes -, mas de modo algum dirá quem matou os meninos.
O ex-policial Salgado cumpre pena na Casa de Detenção Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Durante o processo, ele reconheceu ter participado de extorsão a batedores de carteira do centro da cidade, mas negou qualquer envolvimento com a execução dos menores.

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