Já se passou um mês, mas uma das testemunhas da chacina ocorrida entre 29 e 30 de janeiro lembra dessa noite trágica todos os dias. Segundo ela, que pediu para não ser identificada, toda vez que precisa realizar tarefas cotidianas, como ir na padaria, fica desconfiada e verifica se está sendo seguida ou não. "Vou à padaria a pé e fico olhando. Parece que a gente precisa andar com os olhos na nuca, porque até hoje não sei quem foi o autor dos disparos", expõe. A testemunha se recorda que o veículo utilizado pelo autor dos disparos era um Golf prata. As janelas do veículo, diz, estavam com uma película escura.
A pessoa relata que pensa no episódio todos os dias. "Não sai da minha cabeça o jeito que o carro chegou, o vidro abaixou e começaram os disparos. Um dos tiros poderia ter atingido a minha cabeça, porque acertou bem onde eu estava. As marcas ficaram na parede", relatou.
A testemunha se recorda que a forma como o atirador fez os disparos pressupõe que recebeu algum treinamento, já que o cano da arma não se movimentava muito durante os disparos. "Não é como esses bandidos que disparam de qualquer jeito. Dava para ver que a pessoa estava de frente para a janela e assim que ela abriu, o atirador já estava posicionado e começaram os disparos. As cápsulas não caíram no chão, porque ficaram todas dentro do veículo", relatou.
A testemunha relatou ainda que nunca havia ido ao local onde foram realizados os disparos até aquela noite, e que sempre foi uma pessoa honesta e trabalhadora. "Sempre dormi cedo e nunca tive passagem pela polícia."

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