São Paulo - Clóvis Mendes Bezerra presenciou um homicídio no dia 29 de dezembro. Intimado pela polícia para dizer o que viu, ele foi morto minutos depois do depoimento.
Bezerra, 28, servente de pedreiro, foi morto com dois tiros na cabeça às 21h de anteontem na rua Frei Jerônimo da Graça, região do Campo Limpo (zona sul de São Paulo).
Ele saiu do prédio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) por volta das 19h30, onde prestou depoimento sobre o assassinato de Ronaldo Vicente da Silva, do qual foi testemunha. Ele já tinha sido vítima de tentativa de homicídio em outubro de 2000.
Segundo o delegado Nadivaldo de Rossi, que ouviu o depoimento de Bezerra, a testemunha ‘‘não disse em seu depoimento que recebia ameaças de morte’’.
A delegada do Departamento de Proteção à Pessoa, Elisabete Sato, e o presidente do Programa de Proteção à Testemunha, Dermir Azevedo, reforçam a afirmação de Rossi. ‘‘Ele nunca nos procurou’’, disseram.
L.B., irmã do servente de pedreiro, declarou, porém, que Bezerra ‘‘dizia se sentir acuado’’. Entretanto, L. não entrou em detalhes por temer também ser morta.
De acordo com o delegado titular do 37º DP (Campo Limpo), Roberto Bueno Menezes, ainda não há pistas sobre a morte de Bezerra.
No último dia 20, as testemunhas de homicídio Adriano de Deus e Rosana da Silva, que deveriam depor no último dia 24, foram mortas em Mauá (Grande SP). Johnson Leal, que acompanhava o casal, também foi morto. ‘‘É reflexo do descaso do Estado com quem testemunha um crime’’, criticou o presidente do Conselho Ouvidor dos Direitos Humanos, Luiz Carlos dos Santos.

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