Rio - O delegado Victor Poubel, que presidiu o inquérito da Polícia Federal sobre a morte do chinês Chan Kim Chang, acredita que outros internos do presídio Ary Franco possam estar correndo risco por terem denunciado agentes. Ontem, o preso Fabiano de Oliveira Costa, supostamente agredido na penitenciária por ter revelado que viu Chang ser espancado, foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília.
Poubel não quis informar quais nem quantos são os internos que estariam sendo ameaçados, mas disse que ouviu pelo menos dez internos durante o inquérito, finalizado na semana passada e encaminhado ao Ministério Público Federal. O delegado concluiu que o chinês foi espancado e torturado. Doze pessoas, entre detentos e guardas penitenciários, foram indiciadas.
Poubel disse que poderá abrir um novo inquérito para apurar a suposta violência contra Costa. As marcas no pescoço e no rosto do preso indicam, de acordo com o delegado, que ele foi agredido ao contrário do que disse o diretor do Instituto Médico-Legal, Roger Ancillotti, baseado no resultado do exame de corpo de delito a que Costa se submeteu. Para Ancillotti, não havia sinais de espancamento.
O secretário de Administração Penitenciária do Rio, Astério Pereira dos Santos, disse que não há riscos para os detentos. ''Aqueles que corriam perigo já foram transferidos'', afirmou. Costa, que havia sido transferido do Ary Franco para a carceragem da PF no Rio na segunda-feira, por determinação da Vara de Execuções Penais, foi levado para Brasília às 16 horas de ontem, num avião. Ele deve ficar lá até ser encaminhado para um presídio.
A mulher de Costa, a advogada Fernanda Neiva, contou que o marido estava com bastante medo, mas agora se sente mais tranquilo. ''Espero que em Brasília ele esteja a salvo'', disse. O rapaz, de 28 anos, já cumpriu cinco anos da pena de 14 anos e 4 meses por assalto e tráfico de drogas.
O secretário de Direitos Humanos do Rio, João Luiz Pinaud, disse que a transferência foi uma solicitação também do secretário especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda.

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