Goiânia, 23 (AE) - O cabo Elias Alves de Souza disse à Justiça Federal na noite de quinta-feira que os R$ 5 milhões sacados na tesouraria do Banco do Estado de Goiás (BEG) foram para a campanha do PMDB ao governo do Estado. Segundo o PM, que era segurança do Palácio das Esmeraldas durante o segundo turno das eleições, dois de seus colegas fizeram a escolta do Omega onde foram transportados os R$ 5 milhões do Centro de Goiânia até a Stylus Publicidade, que produzia os programas eleitorais do PMDB. O dinheiro estava em duas caixas de papelão e foi entregue ao tesoureiro da campanha, Geraldo Bibiano.
O cabo disse ainda que R$ 2 milhões ficaram com o publicitário Duda Mendonça, responsável pela produção dos programas eleitorais do candidato do PMDB ao governo de Goiás, senador Iris Rezende.
Segundo o proprietário da Stylus, Hamilton Carneiro, sua produtora foi alugada ao PMDB durante o segundo turno por R$ 250 mil. Ele também prestou depoimento ao juiz federal Alderico Rocha Santos, na 5ª Vara da Justiça Federal, e disse que deveria ter recebido cerca de R$ 600 mil pelo primeiro turno, quando saiu da campanha para dar lugar a Duda Mendonça.
Carneiro reforçou a informação do cabo Elias, ao afirmar que a equipe do publicitário Duda Mendonça não aceitaria fazer a campanha de Iris Rezende por menos de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões.
O cabo Elias revelou também que no dia do segundo turno das eleições, 48 horas depois que os R$ 5 milhões foram sacados do BEG, a Polícia Militar montou forte esquema de segurança na porta do prédio do suplente de senador Otoniel Machado (PMDB-GO)
irmão de Iris Rezende e coordenador-geral da campanha do PMDB em Goiás. Segundo a testemunha, o esquema era "para guardar não sei o quê", e foi mantido até o fim das apurações das eleições, nas quais Iris Rezende perdeu para Marconi Perillo (PSDB).
Segundo o cabo Elias, três homens à paisana fizeram a escolta do Omega: capitão Wellington Urzeda Mota, cabo Manoel Alves de Jesus e soldado Baltazar Esteves de Oliveira. Eles também estavam em um Omega quando seguiram o carro com o dinheiro.
Os R$ 5 milhões foram desviados de um acerto trabalhista do governo com 123 funcionários da Caixa Econômica do Estado de Goiás (Caixego), em fase de liquidação. O dinheiro deveria ter sido usado no pagamento de direitos dos funcionários, mas eles dizem que foram induzidos a abrir mão dos R$ 5 milhões e aceitar acordo de menor valor a que tinham direito.
Os advogados de defesa dos oito envolvidos no escândalo de desvio de dinheiro avisaram que vão tentar desclassificar o depoimento do cabo Elias. A tese será a de cerceamento de defesa
já que o juiz Alderico Rocha Santos não avisou às partes sobre a existência dessa testemunha. Segundo a defesa, o cabo não foi arrolado no rol de acusação apresentado pelo Ministério Público Federal.
Os depoimentos na Justiça Federal terminaram hoje e foram acompanhados pelos oito indiciados no escândalo Caixego. Entre eles está o irmão de Iris, Otoniel Machado, que assistiu ao depoimento do cabo Elias. Os outro indiciados são: o ex-liquidante da Caixego, Edivaldo Silva Andrade, o ex-procurador -geral Gil Alberto de Resende, os advogados Leonardo Staciarini, Valdemar Zaidem, Celso Berquó Brom, Isaías Carlos da Silva e Antonio Moniz Nunes.

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