Testemunha diz que Hildebrando e Gerardo tinham negócios com tráfico
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 16 (AE) - O Núcleo de Combate à Impunidade concluiu que os deputados cassados Hildebrando Pascoal, do Acre, e José Gerardo, do Maranhão, tinham negócios em comum, cuja finalidade era o tráfico internacional de drogas. As investigações foram encerradas e encaminhadas para o Ministério Público Federal, que deverá oferecer nova denúncia contra os ex-parlamentares.
Segundo o delegado Rodney Miranda, um dos coordenadores operacionais do Núcleo, o depoimento de uma testemunha, que teria participado do roubo de uma carreta no Maranhão, foi fundamental para esclarecer a ligação. Essa pessoa - que terá sua identificação mantida sob sigilo - contou que Gerardo mandava caminhões roubados para que o grupo de Hildebrando trocasse por cocaína na cidade de Brasiléia, na fronteira do Acre com a Bolívia.
Cada carreta, avaliada pelos narcotraficantes em US$ 40 mil, valia em torno de 10 quilos de cocaína em Cobija, capital do departamento boliviano de Pando. Depois, a droga era levada para o Maranhão, de onde era exportada do porto de São Luís para a Europa e Estados Unidos. "O contato de Pascoal no negócio era o sargento Alex (Alex Fernandes de Souza), que ficava encarregado de receber a carreta, atravessá-la para o outro lado da fronteira e voltar com a droga", conta Rodney Miranda.
Apesar de ter concluído a ligação entre os dois ex-deputados - que foram cassados por falta de decoro parlamentar - o Núcleo continua investigando outras ramificações do grupo. "Há outros Estados envolvidos", observa o delegado federal Roberto Duran, também do setor operacional do Núcleo. "Mas só iremos revelar após a conclusão de todos os trabalhos."
Apelidos - Dentro da organização, tanto Pascoal quanto Gerardo tinham apelidos com os quais eram conhecidos dentro do narcotráfico. Hildebrando era tratado como "Tio", enquanto José Gerardo recebeu o codinome de "Padrinho". Em Rondônia, por exemplo, traficantes ouvidos pela PF mencionaram uma pessoa influente no Acre, ligado à Polícia Militar, que tinha as mesma características e apelido de Hildebrando. No Maranhão, Gerardo era chamado pelos próprios empregados pelo apelido.
Pelo levantamento feito pelo Núcleo, a ligação entre Pascoal e Gerardo pode ter iniciado em 1994, se acentuando em 1996, quando houve uma grande entrada de carretas roubadas em território acreano.
O Núcleo de Combate à Impunidade, formado pelo Ministério da Justiça e que tem representantes do Ministério Público Federal, PF, Receita Federal e Banco Central.


