Washington, 21 (AE-ANSA) - Uma testemunha anônima, que se apresentou encapuzada e sob fortes medidas de segurança, brindou hoje (21) uma comissão do Senado dos Estados Unidos com detalhes da lavagem de dinheiro dos cartéis colombianos do narcotráfico e sobre a violência que envolve essa atividade ilícita.
A testemunha declarou em Washington, durante uma audiência sobre o controle internacional do tráfico de narcóticos, encabeçada pelo senador republicano por Iowa Charles Grassley. Também participou da sessão a diretora do Serviço Aduaneiro da Colômbia, Funny Kertzman.
Protegida por paredes de vidro à prova de balas, escoltada por dois agentes especiais de segurança e com a voz modificada eletronicamente, a testemunha relatou sua atividade no mercado negro da compra e venda de dólares e pesos colombianos, assim como o contrabando de bens adquiridos nos Estados Unidos.
A testemunha anônima, presumivelmente um latino-americano, afirmou que desenvolveu atividades comerciais durante mais de 30 anos na Colômbia, onde travou relações com os cartéis da droga, para os quais lavou milhões de dólares provenientes da venda de drogas.
"Os narcotraficantes", relatou a testemunha, "oferecem entre oito e dez dias úteis de prazo" para realizar o circuito de compra e venda, que resulta na troca de dólares nos Estados Unidos por pesos na Colômbia.
"Se o traficante não recebe seu dinheiro a tempo, ele te tortura ou te mata, você ou a tua família", acrescentou.
A testemunha relatou o caso da mãe de um desses "intermediários" que foi salva no último momento antes de morrer queimada dentro de sua casa, a mando de traficantes, graças à intervenção de outros "colegas" que conseguiram o dinheiro de outra forma.
"Algumas vezes a gente não tem tanta sorte", advertiu, entretanto, a testemunha misteriosa.
A audiência, e a declaração da testemunha, serviram para sustentar os argumentos de Washington sobre os mecanismos da lavagem do dinheiro produzido pela venda de drogas ilegais nos Estados Unidos.
Os cartéis de drogas, segundo o governo americano, desenvolveram um sistema de troca de dólar por pesos, com a participação de "intermediários" que, mais tarde, participam do contrabando de mercadorias compradas nos Estados Unidos.
O escritório federal das Aduanas dos Estados Unidos chama esse sistema de "black market peso exchange", ou BMPE. Por esse mecanismo, o "intermediário" recebe os dólares que os cartéis possuem nos EUA, e em troca entrega pesos colombianos aos narcotraficantes.
O intermediário utiliza seus contatos nos Estados Unidos para um complexo sistema de compra de bens - eletrônicos e computadores, por exemplo - que logo ingressam no circuito do contrabando, incluindo escalas na ásia, Amércia do Sul e Caribe.

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