Dimitri do Valle e Agência folha
A falta de segurança e o risco de ser preso pela PM foram os motivos alegados pelo soldado Antônio Cláudio Cardoso de Meira para não depor na tarde de ontem na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em Brasília. Meira, que trabalha no Quartel do Comando Geral, em Curitiba, é considerado uma testemunha-chave para confirmar a autenticidade das fitas de vídeo que mostram a PM promovendo despejos irregulares e violentos de trabalhadores rurais sem terra na região noroeste do Paraná. Ele deve prestar depoimento nos próximos dias.
As fitas foram assistidas pelos membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e da Anistia Internacional, que acusaram o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), de ter descumprido acordo feito no início de abril, pelo qual a desocupação de fazendas invadidas seria feita durante o dia. Eles estudam a possibilidade de pedir ao Ministério Público que processe a Polícia Militar do Paraná.
O soldado Meira está sendo procurado por agentes da P-2, o serviço de inteligência da PM. A residência de seus familiares foi alvo de uma visita de policiais por volta das 6 horas de quarta-feira. Líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmaram ter visto 15 policiais militares no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na noite de quarta-feira.
Uma barreira na divisa com Santa Catarina também teria sido montada para evitar que Meira pudesse chegar à Brasília através de um vôo que sairia do aeroporto de Joinville. A CPT divulgou ontem nota em que protesta contra a perseguição sistemática da PM ao soldado.
De acordo com o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, Meira corre risco de vida se for encontrado pela PM. ‘‘O fundamental agora é garantir a vida do homem.’ O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), compreendeu a ausência de Meira na audiência. ‘‘Ameaça de morte tem que ser levada a sério mesmo.’
Miranda informou ontem que o governador Jaime Lerner terá que explicar as denúncias apresentadas contra a PM. Lerner receberá um questionário da comissão para responder por que os despejos foram realizados durante a madrugada, qual o motivo da presença de policiais encapuzados, a ausência de um oficial de Justiça durante as desocupações e a falta de identificação dos policiais.
Miranda requisitou a versão integral da fita de vídeo à PM do Paraná e pediu explicações ao secretário da Segurança Pública do Estado, para então decidir se recorre ou não ao Ministério Público. Quatro representantes da Anistia participaram da reunião. Entre eles Fiona Macaulay, pesquisadora responsável pelo Brasil na entidade. Ela disse que viu fita de vídeo mostrando operação semelhante no Paraná ano passado.‘‘Não acredito que tenha havido duas montagens, uma no ano passado e outra agora. A situação do Paraná está nos preocupando há algum tempo.’MST diz que Polícia Militar está ‘caçando’ o soldado e fazendo barreiras para evitar que ele chegue a Brasília para depor na Câmara
Agência EstadoProvaA Comissão de Direitos Humanos da Câmara assiste às fitas de vídeo sobre os despejos no Noroeste do Paraná

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