Testemunha acusa Zé Alex de mandar matar presidiário3/Mar, 17:46 Por Chico Araújo e Hugo Marques Brasília, 03 (AE) - Acusado de desviar verba pública, falsificar documentos e articular um plano para assassinar o governador do Acre, Jorge Viana (PT), o deputado José Aleksandro da Silva (PSL-AC), o Zé Alex, ficou em situação ainda mais complicada esta semana. Em depoimento para a Corregedoria da Polícia Ceivil do Acre, uma testemunha acusa Zé Alex de ser o mandante da execução do presidiário Francisco Camilo da Silva por causa de um acerto de contas por venda de cocaína. O corpo de Camilo da Silva foi encontrado no Lago do Amapá, em 4 de julho de 1997, sem o crânio. A cabeça dele foi localizada alguns dias depois, num igarapé (canal natural, estreito, entre duas ilhas ou entre uma ilha e a terra firme). Zé Alex substituiu o deputado cassado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), acusado de tráfico internacional de drogas e cumprindo pena de seis anos por crime contra o sistema financeiro. Zé Alex disse que esta é mais uma denúncia para tentar o desmoralizar perante a opinião pública. O deputado afirma que tudo seria uma trama articulada pelo Ministério Público (MP) no Estado, que ele classifica como sendo "o braço armado" de Viana. Zé Alex disse ter interposto ações contra membros do MP do Acre em função de algumas ações em que figura como acusado. O parlamentar diz ser envagélico e, por conta disso, jamais se envolveria com drogas. Uma irmã de Camilo da Silva contou à testemunha que ele estava marcado para morrer. O motivo, segundo ela, seria o fato de Camilo da Silva ter recebido uma partilha de cocaína e ter vendido a droga a presos e policiais militares, sem exigir pagamento imediato. Segundo a irmã da vítima, os 5 quilos de cocaína teriam sido "mandados pelo vereador Alex". Antes de assumir a vaga de Hildebrando, Zé Alex era vereador em Rio Branco. Antes de ser executado, Camilo da Silva também contou à testemunha que foi procurado pelo irmão de Zé Alex, Alexandre Alves da Silva, mais conhecido com ''Nim'', preso em Rio Branco, acusado de integrar a quadrilha de Pascoal, para dar conta dos R$ 5 mil referentes à venda da droga. ''Nim'' teria alertado Camilo da Silva de que, se o dinheiro não aparecesse, "o vereador Alex iria mandar o cabo Paulino lhe degolar". Depois de alguns dias da amaeaça, Camilo da Silva foi encontrado degolado num matagal da Estrada do Amapá. Ainda segundo o depoimento, Camilo da Silva passou a ser perseguido por pessoas ligadas a Zé Alex depois que cabo ''Paulinho'', preso no Acre acusado de integrar um esquadrão da morte, soube que o presidiário teria ouvido uma fita na qual alguns detentos afirmavam que "o vereador Alex iria dar um jeito de liberar, nas vésperas das eleições, todos os presos envolvidos com drogas". A testemunha contou à polícia que Camilo da Silva ainda tentou denunciar o cabo ''Paulinho'' por causa das ameaças de morte que vinha recebendo. Porém, ao descobrir que os que lhe ameaçavam eram ligados ao esquadrão da morte, o presidiário desistiu da idéia e foi morto após ter uma "fuga facilitada" da Penitenciária de Rio Branco.