Macapá, 04 (AE) - A principal testemunha do assassinato do médico Valdson Rocha, ocorrido em maio de 1997, Mirian Loren Flexa, denunciou à CPI do Narcotráfico que os maiores narcotraficantes do Amapá são o ex-deputado estadual Milton Rodrigues e o empresário Silvio Assis, proprietário do jornal Amapá Estado.
De acordo com Loren, Rodrigues e Assis comandam o tráfico de armas e drogas no Estado. Loren também denunciou policiais civis que estariam a trabalho do ex-deputado e do empresário.
Ela contou que nas vezes em foi conduzida à Polícia Federal para prestar depoimento, os próprios policiais civis que a conduziam lhe ofereceram de R$ 20 mil a R$ 25 mil para não denunciar o empresário.
A primeira vez que Mirian falou sobre o narcotráfico foi quando foi acusada da morte do médico Valdson Rocha e sua namorada Aldenize. Na ocasião, Mirian denunciou o ex-policial Nivaldo Ramos como assassino e contou que ele trabalhava para o empresário Silvio Assis que disputava com Rodrigues o controle do tráfico no Amapá. Loren disse que chegou a receber várias ameaças de morte e por isso teve de deixar o estado, só informando seu endereço à Polícia Federal.
O segundo depoimento tomado foi do ex-policial Nivaldo Ramos - que cumpre pena na Penitenciária pelo assassinato do médico. Nivaldo negou conhecer Silvio Assis e disse que só conheceu Miriam Loren após o crime, isto porque foi autorizado pela Polícia (ele ainda pertencia à polícia na época) a investigar o crime.
No entanto, não há nenhum documento que comprove que foi escalado para fazer tal investigação. O deputado Pompeu Matos (PDT-RS) acredita que Nivaldo "é o bandido que liderou todo o processo do assassinato do médico".
Para ele, Nivaldo sabe tudo e estava disposto a contar. " Ele contaria tudo, mas os advogados enlouquecidos passaram o dia atrás dele e acabaram dando o que ele precisava para calar a boca", disse Pompeu. "Este é o depoimento mais falso e mais deslavado que já vi em toda a minha vida", afirmou o parlamentar.
Além de Miriam e Nivaldo, estavam previstos ainda para a noite de ontem os depoimentos de um ex-policial, que está preso por ter cometido roubos e assaltos, e do presidente da OAB, Wagner Gomes, que diz ter uma coleção de cópias de depoimentos prestados na Justiça por pessoas envolvidas em assasinatos.
A deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), que preside os trabalhos em Macapá, lamentou a morte do detento Jacy Gonçalves, assassinado na tarde de segunda-feira adentro do complexo penitenciário do estado.
Jacy foi condenado por tráfico de drogas e seria ouvido hoje pela CPI. Ele, em depoimento que deu à Polícia Federal, incriminou policiais e empresários amapaenses. "Foi queima de arquivo. Este é o modus operandi dos narcotraficantes", disse o deputado Pompeu de Matos.
O governador Alberto Capiberibe (PSB) garantiu que hoje mesmo começará a tomar todas as providências contra os policiais citados nos depoimentos. "Vou afastá-los das funções, tomar suas carteiras e suas armas", falou o governador.
Amanhã, a partir das 9h, a CPI retoma os depoimentos. O primeiro a ser ouvido será o empresário Silvio Assis. Desde que seu nome começou a ser citado nos depoimentos, a partir da morte do médico Valdson. Assis nega envolvimento. Ele conta que ano passado foi ao presidente da CPI, em Brasília, pedir que os trabalhos da CPI fossem estendidos até o Amapá. "Eu tenho interesse que a CPI venha aqui para que não fique nenhuma dúvida quanto a minha pessoa", costuma dizer.

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