Rio Branco, 26 (AE) - A Polícia Federal liberou hoje para entrevista à imprensa Irineu José de Lima, uma das principais testemunhas de acusação nos processos de narcotráfico e homicídio contra o ex-deputado Hildebrando Pascoal. A iniciativa foi em resposta à estratégia dos advogados de defesa de Hildebrando, que haviam tentado provar que uma suposta vítima do ex-parlamentar, Márcio Cleide, irmão de Irineu, estava viva, a fim de desqualificar seu depoimento. Mas Irineu explicou que tem outro irmão chamado Márcio, assassinado em Castanhal, município do Pará, há cerca de cinco anos.
O advogado Oscar Luchesi e o deputado estadual Cosmoty Pascoal (PPB), irmão de Hildebrando, apresentaram Márcio Cleide ontem (25) na Assembléia Legislativa do Acre. Se a revelação fosse confirmada, a credibilidade do testemunho de um dos principais acusadores de Hildebrando poderia ser prejudicada.
O ex-procurador-chefe da República no Acre Sérgio Monteiro Meideiros recebeu a notícia com descrença. "Precisamos ver se é o mesmo irmão", afirmou. Irineu explicou que tem três irmãos legítimos e seis por parte de pai, que casou três vezes. O irmão que teria morrido chama-se Márcio José de Lima e o que apareceu, Márcio Cleide Pinto Saraiva, com o qual diz não ter tido muito contato nos últimos anos. "Meu irmão foi morto porque mexia com drogas, brigou com o Hildebrando e foi embora dizendo que ia contar tudo", disse ontem Irineu.
Vazamento - Há quatro dias, o vazamento dos laudos cadavéricos e pericial também tentou lançar dúvidas sobre as condições em que o mecânico Agílson Santos Firmino, o Baiano. Ele foi assassinado em julho de 1996 a tiros, mas antes teve o corpo torturado com uma faca, os braços e as pernas cortados por uma motoserra e os testículos arrancados.
Hildebrando é acusado de participar e ser o mandante do crime, porque Baiano não revelou o paradeiro de seu patrão, José Hugo, o Mordido, que matou a tiros um irmão do ex-deputado federal, o terceiro-sargento da Polícia Militar, Itamar Pascoal. A morte de Baiano foi antecedida por uma recompensa pública de R$ 50 mil oferecida por Pascoal, que espalhou cartazes pelas cidade comunicando o prêmio.
A família de Pascoal e o próprio ex-parlamentar negam qualquer envolvimento. Os laudos não confirmam o uso da motoserra e o vazamento foi uma tentativa de tumultuar os processos e as investigações.

mockup