Curitiba - Em 1992, o teste do pezinho, feito em bebês recém-nascidos para diagnosticar precocemente doenças relacionadas ao retardo mental, diagnosticou duas crianças no Paraná como portadoras de Fenilcetonúria, uma doença que impede que o fígado metabolize a proteína fenilalanina, presente em grãos. Na ápoca, as duas famílias se uniram e formaram a Associação dos Fenilcetunúricos do Paraná, entidade que atende hoje 110 associados, entre 2 meses e 15 anos, o que corresponde a todos os que tiveram a doença diagnosticada precocemente.
Essas crianças, hoje, levam uma vida praticamente normal. O único cuidado refere-se à dieta alimentar, que deve ser baixa em fenilalanina. Hoje, no entanto, esse problema é resolvido pela panificadora criada pela Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional do Paraná (Fepe) com objetivo de produzir produtos especiais para os fenilcetunúricos. Atualmente a padaria tem produção suficente para ser distribuída a 250 portadores da doença no País, incluindo os 110 do Paraná.
Diante de resultados como esses, o teste do pezinho foi o tema escolhido pelo Centro de Pesquisa da Fundação Fundação Ecumênica do Paraná (Fepe), que comemora seus 30 anos nesta semana com o 1º Encontro Paranaense de Triagem Neonatal, que terminou ontem em Curitiba.
''Não existe doença rara'', adverte o diretor de Pesquisas da Fepe, Ehrenfried Wittig, pioneiro nas pesquisas sobre a triagem neonatal no Paraná. Por essa, razão, de acordo com ele, o teste do pezinho é fundamental para evitar o aparecimento de um retardo mental que poderia ser evitado. O teste é obrigatório por lei.
A Fundação tornou-se referência nacional na realização do teste do pezinho. Uma amostra de sangue do bebê recém-nascido, tirado por um pequeno corte no calcanhar do bebê, serve de base para detectar cinco doenças genéticas, que se forem diagnosticadas precocemente podem ser tratadas sem danos à criança. Caso contrário, resultariam em sérios transtornos mentais.
O teste é feito pela Fundação deste 1994. Por meio de convênios com o Governo do Estado e prefeituras, são realizados cerca de 300 mil exames mensalmente em todos os municípios do Paraná. Além de realizar o exame, a Fundação garante o tratamento e o acompanhamento dos casos positivos. Por esse motivo, a Fepe inspirou o governo federal a criar, em 2001, um programa nacional de triagem neonatal, reformulando portaria anterior que dispunha sobre o assunto. Como consequência, a Fundação foi também a primeira do País cadastrada no programa.
Assim que é identificada alguma doença pela triagem neonatal, a Fundação cria um vínculo pelo resto da vida com seus portadores envolvendo médicos de várias especialidades no tratamento (realizado em parceria com o Departamento de Pediatria do Hospital de Clínicas da UFPR). Ela também mantêm serviços que realizam a reabilitação, educação, lazer e outros projetos de inclusão social.

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