Agência Estado
De São Paulo
Três das mais populares marcas de arroz no País – Tio João, Camil e Casabella – foram reprovadas em um teste de qualidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) por conter resíduos de agrotóxicos. Em amostras do arroz Tio João, do lote válido até 30 de junho, foi detectado o herbicida trifluralina em quantidades até três vezes acima do limite legal. Nas outras marcas havia resíduos de Folpet, fungicida que pode ser cancerígeno. O Idec analisou 14 marcas de arroz e 22 de feijão em oito Estados para avaliar classificação, rotulagem, cozimento e resíduos tóxicos.
A Josapar, produtora do arroz Tio João, pediu que o Idec suspendesse a publicação dos testes por 90 dias para novas análises. O diretor de desenvolvimento e novos negócios da empresa, Fernando Halfen, garantiu que não há risco para o consumidor e testes de rotina feitos no mesmo laboratório utilizado pelo Idec não constataram presença de trifluralina.
O instituto, no entanto, decidiu divulgar os dados imediatamente. A trifluralina é considerada substância de toxicidade média – pode causar irritações no caso de contato com a pele ou mucosas, mas não há registro de infecções agudas.
O Folpet tem uso proibido no cultivo do arroz, por isso não há limite determinado para o produto. O fungicida foi detectado nos lotes do arroz Casabella com validade até 30 de agosto e Camil, até 30 de novembro. ‘‘Só podemos responder por esses lotes,’’ disse o coordenador técnico do Idec, Othon Abrahão. Ele alertou que a contaminação pode ter ocorrido em várias etapas da produção. ‘‘Esperamos que as empresas detectem onde foi.’’
A Cotrijuí, responsável pelo arroz Casabella, contestou os resultados. A produtora do Camil não foi encontrada pela reportagem.

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