Teste detecta vírus da Aids pela urina
SAÚDE
Teste detecta
vírus da Aids
pela urina
Agência Estado
De Brasília
O primeiro pesquisador a isolar o vírus HIV, o francês Luc Montagnier, apresentou ontem, no Ministério da Saúde, um novo teste para detecção da Aids: o de urina. O pesquisador anunciou também que em cinco anos poderá ser fabricada a vacina terapêutica para portadores da Aids já em tratamento. Se esta terapêutica funcionar, levaremos mais uns cinco anos para produzir a vacina preventiva, disse Montagnier, para quem a cura da Aids será descoberta por meio de pesquisa genética, diferente da atual linha seguida pelos cientistas.
Ainda em fase de estudos nos Estados Unidos, o teste da urina pode ser um auxiliar ao exame tradicional de sangue. Não existe vírus na urina, mas pode-se constatar a infecção identificando a presença do anticorpo ao HIV. Esse teste levou dez anos para ser desenvolvido, desde que se descobriu que por meio da urina seria possível obter o diagnóstico da Aids. Segundo Montagnier, o anticorpo sobrevive por até oito semanas na urina, mantida a uma temperatura de 15 a 30º C.
O exame de urina não tem por objetivo substituir o de sangue, enfatizou o cientista. Todos os soropositivos, identificados pela urina, são submetidos aos testes convencionais de sangue. Para ele, o exame de urina seria bastante útil em pesquisas epidemiológicas, porque há grande evolução no tratamento, mas muitas pessoas nem sequer sabem que são portadoras do vírus. O teste de urina, defende o pesquisador, dispensa profissional especializado para coleta de amostras e de equipamentos sofisticados, como ocorre com o Western Blot. Sem mencionar preços do kit, o pesquisador garante que haveria uma redução nos custos.
Para Montagnier, o teste de urina também resolveria outro problema: o das pessoas resistentes a tirar sangue para exames. Há, principalmente nos Estados Unidos, pessoas com medo da agulha, disse, observando que há risco de a doença virar epidemia na África, Índia, China e Austrália. Em relação ao Brasil, ele comentou ser alarmante o número de mulheres infectadas e recomendou maior controle no pré-natal para evitar o contágio dos filhos.
O coordenador do programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis- Aids do Ministério da Saúde, Paulo Roberto Teixeira, disse que o teste de urina pode vir a ser um elemento a mais no arsenal de diagnóstico da aids, quando obtiver aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, onde os representantes no Brasil do fabricante pretendem em breve solicitar registro.
Mas Teixeira, em princípio, tem restrições ao uso do teste, por exemplo, na triagem nos bancos de sangue e também para recém-nascidos filhos de portadoras do vírus. Ele teme que um doador entregue ao banco de sangue amostra de urina de outra pessoa. Não faria sentido também, porque de qualquer forma a pessoa seria furada para a coleta do sangue.
O coordenador lembra que, no Brasil, são testadas anualmente 3 milhões de bolsas de sangue e não se pode correr o risco. No caso das crianças, disse, o teste de urina também precisaria de muita investigação para mostrar-se eficiente. Não podemos decidir tratar ou deixar de tratar uma criança com base num exame de urina. Para ele, no momento não há interesse em adotar a novidade no País para realização de um inquérito sorológico ou levantamento da doença numa região.





