Teste da Orelhinha é lei no Paraná
Curitiba- Estima-se que três a cinco crianças em cada 1000 nascidas no Brasil tenham algum problema auditivo. A deficiência na infância pode ser diagnosticado assim que a criança nasce, através do ''teste da orelhinha'', nome dado em alusão ao ''teste do pezinho''. É fundamental que o exame seja feito nos primeiros seis meses de vida, pois cerca de 50 a 75% das deficiências auditivas podem ser diagnosticadas no berçário, através da triagem auditiva. Nessa fase é possível resgatar a audição em quase 100% dos casos.
No Paraná, projeto de lei que decreta a obrigatoriedade do teste da orelhinha em crianças recém-nascidas foi aprovado em dezembro do ano passado pela Assembléia Legislativa, mas só agora o Departamento de Alta e Média Complexidade da Secretaria de Estado da Saúde está desenvolvendo o projeto para a regulamentação da lei. De acordo com o técnico Irvando Carula, o texto será entregue este mês ao governador, para regulamentação.
O projeto prevê um investimento inicial do governo estadual de R$ 500 mil para compra de equipamentos e implantação de estrutura capaz de atender todos os municípios. E R$ 100 mil por mês para a realização dos exames.
Hoje só três municípios paranaenses fazem o teste: Araucária, São José dos Pinhais, ambos na Região Metropolitana de Curitiba, e Paranavaí. Em Campo Mourão, a Santa Casa também faz o exame.
O ''teste da orelhinha'' é feito por um computador. O aparelho emite um som no ouvido do recém-nascido e um software colhe o ruído que a cóclea (orelha interna) faz quando o som passa por ela. ''Caso não haja ruído, a criança deverá ser reavaliada, pois provavelmente apresenta problemas auditivos'', explica o otorrinolaringologista Luis Carlos Alves de Sousa, coordenador da Campanha Nacional da Saúde Auditiva.
Pesquisas realizadas pelo especialista mostram que os resultados estão muito longe do ideal. De 2.014 crianças que chegaram ao seu consultório, apenas 7% tinham sido diagnosticadas no primeiro ano de vida. O obstáculo para a realização do teste pelos municípios tem sido o preço do aparelho que custa R$ 20 mil. O médico Orley Baena Ferraz defende sua implantação com urgência, argumentando sobre o número de diagnósticos feitos pelo teste. A deficiência auditiva afeta pelo menos três a cada mil recém-nascidos em nosso País. (M.G.)





