Teste com saliva detecta hepatite A
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Karine Rodrigues<br>Agência Estado 
Rio- Traumática para as crianças, a picada da agulha para a coleta de sangue não é mais a única opção para diagnosticar a hepatite A, doença viral que leva à inflamação do fígado, é aguda e pode ser fatal. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), adaptaram o teste, trocando a amostra de sangue pela de saliva.
No ano passado, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados no País 8.308 casos da doença, mas o número de notificações não reflete a incidência real da hepatite A, já que ela é, geralmente, assintomática. Todo ano, de acordo com estimativa do Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), surgem 130 novos casos por 100 mil habitantes.
''É um teste seguro, mais prático e ideal para ser usado, por exemplo, em casos de suspeita de surtos epidêmicos, principalmente em escolas, onde existem muitas crianças'', disse a bióloga Ana Maria Coimbra Gaspar, do Departamento de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz.
Orientada por Ana Maria, a biomédica Luciane Almeida analisou 110 pares de amostras de sangue e de saliva e concluiu que, em 87% dos casos, o teste de diagnóstico realizado com o material colhido da boca detectou os anticorpos contra a hepatite A. ''É um resultado muito bom'', observou Luciane, acrescentando que o diagnóstico a partir da saliva tem 100% de especificidade, ou seja, não gera resultados falso-positivos ou falso-negativos. A coleta da saliva é feita com um tipo de cotonete, inserido entre a bochecha e a gengiva.
Por ser uma doença geralmente ''silenciosa'', a existência de um procedimento menos doloroso e mais prático para descobrir a presença do vírus HAV, avalia Ana Maria, é ainda mais importante. ''Em 90% dos casos registrados em crianças abaixo de 6 anos, não é possível identificar os sintomas'', enfatizou a bióloga, informando que os pacientes infectados sentem náusea, cansaço, dor de cabeça e febre, além de apresentarem olhos e pele amarelados e urina escura.
Segundo Luciane, a dificuldade em detectar a hepatite viral só torna o teste com a saliva ainda mais importante. ''Como a criança não apresenta sintomas, a mãe muitas vezes acha que o filho vai ser furado à toa, mas, diante de uma suspeita de epidemia em uma escola com 500 crianças, todas terão de ser analisadas, além das pessoas que convivem com elas em casa, por exemplo, já que a via de transmissão é fecal e oral, ou seja, pelas fezes ou pela ingestão de água e alimentos contaminados'', detalhou a biomédica.


