Brasília, 11 (AE) - O Tesouro conseguiu vender hoje R$ 500 milhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) de 182 dias a uma taxa média de 23,74%. É a primeira vez desde junho de 98 que se vendem títulos prefixados com prazo tão longo. Foram vendidos também R$ 1 bilhão de LTN de 91 dias, com a menor taxa registrada nos últimos 13 meses. O sucesso do leilão dos papéis com remuneração prefixada animou o governo a alongar, também, o prazo de seus títulos pós-fixados, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Quinta-feira serão oferecidos R$ 500 milhões em LFT de 24 meses. O papel pós-fixado mais longo vendido atualmente era de 15 meses.
"A expectativa favorável do mercado sobre a conjuntura está-se refletindo nas taxas", disse o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães. Ele comentou que o quadro econômico tem tido mais peso do que a conjuntura política, na formação das expectativas do mercado.
A volta das LTN de 182 dias teve um resultado que o secretário considerou "extremamente positivo". As taxas médias fixadas pelo mercado foram de 23,74% e a máxima, de 23,84% ao ano. "Foi um sucesso", comentou Guimarães. Ele disse que a demanda pelos papéis foi "substancialmente superior" à oferta. O papel deverá ser oferecido novamente no leilão da próxima terça-feira.
Também foram vendidos R$ 1 bilhão em LTN de 91 dias, a uma taxa média de 24,87% e máxima de 24,92%. Nesses papéis, foi registrada uma forte queda nos juros. No leilão anterior, realizado na última quinta-feira, a taxa média havia sido de 27 04%. Houve, portanto, uma queda de 2,17 pontos percentuais. O secretário-adjunto do Tesouro, Fábio Barbosa, informou que o governo não conseguia uma taxa tão baixa desde abril de 98. Após aquela data, lembrou, as taxas começaram a subir, já refletindo a conjuntura internacional, onde figurava o agravamento da situação na Rússia.
Guimarães explicou que essa queda acentuada foi provocada pela redução da taxa Selic, de 32% para 29,5%, e pela expectativa do mercado, no sentido de que a taxa deverá declinar ainda mais. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, tem declarado que as taxas reais de juros estarão abaixo de 10% até o final deste ano. As taxas de três e seis meses obtidas hoje pelo Tesouro indicam que o mercado espera, para os próximos três meses, uma taxa média de 24,87% e, para os três meses seguintes, algo em torno de 22,8%.
Quinta-feira o Tesouro colocará em leilão R$ 1,5 bilhão em títulos, sendo R$ 1 bilhão em LTN de 91 dias e R$ 500 milhões em LFT de 24 meses. A venda será feita para substituir títulos do Banco Central. "Estamos tentando mudar o perfil de maturação da dívida", explicou o secretário. "À medida em que alongamos os papéis prefixados, podemos também alongar os pós-fixados."

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