Brasília, 11 (AE) - O governo quer fortalecer o mercado secundário de títulos públicos federais, com o objetivo de criar melhores condições para voltar a vender papéis de prazo mais longo. Foi o que disse hoje o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, ao anunciar que colocará em leilão, na próxima terça-feira, R$ 500 milhões em títulos prefixados, as Letras do Tesouro Nacional (LTN), com prazo de 203 dias.
No total, serão cinco leilões semanais de LTN, de R$ 500 milhões cada, todos com vencimento em 5 de janeiro. Essa estratégia, inédita na administração dos títulos federais brasileira, foi chamada de "reoferta". O objetivo, segundo explicou o secretário, é "dar mais liquidez ao mercado secundário." Após o final da série de leilões, o Tesouro anunciará uma outra sequência. Caso a procura pelos papéis seja muito elevada, poderá ser reduzido o número de leilões, para oferecer mais títulos por semana. O valor global dessa série que vence em 5 de janeiro, porém, continuará sendo de R$ 2,5 bilhões.
A vantagem de ter mais instituições financeiras comprando e vendendo entre si os papéis federais é tornar mais previsíveis os preços a serem alcançados pelo Tesouro quando este for oferecer títulos no mercado. "Quanto maior é o mercado secundário, mais eficiente é a formação de preços dos títulos", disse o secretário-adjunto do Tesouro, Fábio Barbosa.
A "reoferta" ajuda a movimentar o mercado secundário, segundo explicou Barbosa, porque dá mais segurança aos agentes de mercado quanto à possibilidade de adquirir títulos federais e vendê-los logo adiante. Ele explicou que a estratégia usada até agora pelo Tesouro, de lançar lotes pequenos de títulos com datas de vencimento diferentes, acabava inibindo esse tipo de operação.
Em nota divulgada à imprensa, o Tesouro explica que o objetivo da "reoferta" é "retomar a emissão de títulos prefixados de prazos mais longos em bases consistentes." Em 11 de maio passado, o Tesouro havia voltado a vender LTN com prazo de seis meses, depois de 13 meses sem emitir papéis com essa característica. No final de maio, porém, não conseguiu mais leiloar esses títulos de prazo longo, devido aos rumores de crise na Argentina e os temores de elevação das taxas de juros nos Estados Unidos. O leilão da próxima terça-feira marcará a volta das LTN de seis meses.

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